quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Sete argumentos austríacos contra o euro

Em artigo recente publicado neste site, manifestei por que tenho motivos para não acreditar no euro, em contraposição à defesa do mesmo por parte do Professor Jesús Huerta de Soto.  
Nunca é demais repetir o que frisei no primeiro parágrafo de meu artigo mencionado: embora seja unanimidade entre os economistas da Escola Austríaca que o melhor sistema monetário é aquele baseado na plena liberdade de escolha das moedas, há divergências quanto ao formato do sistema monetário e cambial que cada um considera como o mais adequado para assegurar o que é consenso entre eles: a economia de mercado, o respeito às regras de subsidiariedade, as liberdades individuais, os direitos de propriedade, a crítica ao nacionalismo econômico, a austeridade fiscal e monetária dos estados e, o que é mais importante, aquilo que podemos denominar de "a despolitização do dinheiro".
Os defensores do euro argumentam, com razão, que o padrão-ouro, como Mises sempre afirmou, serve como um freio para separar a determinação do poder aquisitivo da moeda das ambições e doutrinas dos partidos políticos e dos grupos de pressão, e que o euro seria uma boa forma para a obtenção dessa separação, que é desejada por todos os economistas austríacos, sejam eles favoráveis ou não à moeda europeia única. Neste artigo aprofundarei e estenderei um pouco mais minhas objeções ao euro, com base nos argumentos marcantemente austríacos que listarei e comentarei brevemente em seguida, em ordem de importância aleatória.
1º. O euro não foi capaz de assegurar a separação entre o dinheiro e a política
No artigo mencionado, observei, como Philipp Bagus, que, infelizmente, a adoção do euro deu respaldo a que vários governos independentes pudessem usar um sistema de bancos centrais para financiar seus gastos, emitindo títulos públicos que podem ser comprados pelo sistema bancário e usando esses papéis como colaterais para garantir novos empréstimos junto ao Banco Central Europeu.  Assim, a base monetária aumenta e os preços tendem a subir, não só no país deficitário, como em toda a zona do euro. Vemos, então, que os governos encontraram no euro uma forma de transferirem os gravames sobre seus déficits para outros países da comunidade, bem como para o resto do mundo, sob a forma de senhoriagem.
Se um país financia um pequeno déficit de 1%, mas os preços de toda a zona do euro sobem 10%, é provável que caiam os gastos reais do governo, bem como seu poder político, mas a inflação de preços depende do financiamento do déficit global da Comunidade Econômica Europeia.  Isto significa que, se outros governos têm déficits mais elevados, aquele governo mais responsável e austero, que não produza déficit orçamentário ou que mantenha um déficit menor pode estar perdendo na redistribuição intereuropeia, o que significa um prêmio ao mau comportamento e um castigo ao bom.
E mais: quanto maior o déficit de um governo em relação aos déficits dos outros estados-membros, mais fácil para este governo transferir os custos de sua irresponsabilidade para os estrangeiros!  É uma dinâmica explosiva e que leva a um caminho inflacionário.  Essa monetização perniciosa só poderia ser evitada se as instituições em que se baseiam o Euro e a própria CEE fossem perfeitas, o que evidentemente não vem acontecendo e muito provavelmente não virá a acontecer.  Em suma, a ideia de que o euro poderia colocar os governos em camisas de força, impedindo-os de gastarem mais do que arrecadam, não se concretizou na realidade e me parece difícil — para não dizer impossível — que venha a sê-lo.
2º. Governos irresponsáveis são a regra e governos responsáveis a exceção
Parece-me um tanto ingênuo crer que a instituição do euro forçaria todos os governos da CEE a agirem com a austeridade fiscal e monetária que a Escola Austríaca exige, por várias razões, das quais a principal é que se trata de governos, o que significa — além de todos os outros males que os economistas austríacos sempre combateram —, que agem politicamente.  Isso quer dizer que, enquanto existirem governos — de províncias, países ou comunidades de países — as influências políticas sempre vão prevalecer. Assim como não há como esperarmos de um gavião que ele deixe de mergulhar no ar para atacar um quero-quero, não há também como acreditar que um governo não vá gerar déficits orçamentários e tentar monetizá-los.  Se puder fazer isso à custa de "contribuintes" de outros países, melhor ainda para eles, porque suas chances de permanecer no poder não diminuirão.
Todos os economistas da Escola Austríaca sabem que o estado é um mal — para muitos, um mal necessário, desde que restrito a certos limites mínimos; para outros, mais libertários, um mal desnecessário; para Rothbard, um inimigo — e, sendo assim, a crença de que os governos seriam forçados pelo Euro (e o BCE) a ter comportamentos de freiras carmelitas descalças parece fugir da realidade.  Governos são governos, com seu próprio ethos político arbitrário e gastador e ponto final.  Onde há governo, há falta de juízo econômico.
3º. O euro não toca na questão do monopólio do dinheiro
É unânime entre os austríacos a crítica aos monopólios legais, àqueles que são instituídos pelo estado mediante leis. Muitos economistas, desde os pós-escolásticos (que foram os protoaustríacos) defendem com argumentos sólidos a tese de que o monopólio legal de emitir moeda dos governos (e, por extensão, dos bancos por eles manipulados) é tão pernicioso quanto os demais monopólios.  Por que cargas d'água com a moeda e o crédito haveria de ser diferente?
A melhor solução, então, caminha no sentido oposto ao de uma moeda única estatal ou supraestatal: a extinção dos bancos centrais e a implantação da competição na indústria da moeda e do crédito, em moldes semelhantes ao sugerido por Hayek em 1974, sob um sistema de 100% de reservas.  O euro não somente mantém o monopólio nacional; ele o amplia para nível continental!  É como se o locutor de uma partida de futebol anunciasse durante um jogo: "atenção, sai o nacionalismo monetário e entra o internacionalismo monetário".
A meu ver, com efeito, não é correto afirmar que o euro atacou o nacionalismo monetário, porque na verdade ele o ampliou para além das fronteiras dos países, com a diferença de que esse novo nacionalismo passou a ser exercido por governos que externalizaram seus efeitos perversos para os pagadores de tributos de outras nações.
4º. O euro não se mostrou uma boa proxy para o regime do padrão ouro
Outro argumento muito utilizado pelos defensores do Euro é que ele teria a desejada propriedade de funcionar como uma boa aproximação para o regime de padrão-ouro que, como sabemos, impede os governos de "politizarem" a moeda e o crédito.  Mas, será que impede mesmo?
Bem, é óbvio que se trata de um regime superior ao que vige no mundo desde que o padrão-ouro foi abandonado, mas que também padece de imperfeições.  Para não voltarmos muito no tempo, até à época de Nabucodonosor da Babilônia, vejamos o que Rothbard escreveu em seu magistral tratado de História do Pensamento Econômico, An Austrian Perspective on the History of Economic Thought, edição do Mises Institute em ePub, no capítulo dedicado ao extraordinário Juan de Mariana (1536-1624):
Voltando sua atenção à teoria e à prática monetária, Mariana, em seu breve tratado De Monetae Mutatione (Sobre a Alteração do Dinheiro, 1609), denunciou seu soberano,Filipe III de Espanha, por roubar o povo e debilitar o comércio por meio da adulteração da cunhagem de cobre.  Ele notou que esta adulteração também contribuía para a crônica inflação de preços da Espanha ao aumentar a quantidade de dinheiro no país.  Filipe III havia zerado a dívida pública ao adulterar a composição de suas moedas de cobre, desta forma triplicando a oferta de dinheiro. [pp. 719-720]
[…]
Mariana também relatou uma história sobre desvalorização e seus efeitos desastrosos, e demonstrou que um dos pressupostos básicos de um governo é manter todos os padrões de peso e mensuração — e não somente para o dinheiro —, e que seu histórico de adulteração destes padrões é dos mais vergonhosos.  A Castilha, por exemplo, alterou suas mensurações para o azeite e o vinho com o intuito de criar um imposto oculto, e isso gerou uma grande confusão seguida de uma revolta popular. [pp. 725-726]
[...]
Mariana cunhou uma frase que precedeu uma das observações favoritas que Ludwig von Mises viria a fazer sobre os economistas mais de três séculos e meio mais tarde: "Não há nenhum absurdo que não venha a ser defendido por algum teólogo". [pp. 734-735]
Com essas citações de Rothbard não pretendo "atacar" o padrão-ouro, só quero reafirmar que estados — leia-se: seus mandatários — sempre são estados, mesmo sob o regime do padrão-ouro. Por isso, o argumento de que o uuro agiria como uma second Best solution, além de não se ter verificado na prática, já perde muito de seu sentido.
5º. O euro agride frontalmente o princípio da subsidiariedade
Este argumento certamente é um dos mais poderosos.  Um dos princípios basilares da Escola Austríaca é o dasubsidiariedade, que implica descentralização, individualização, tanto no âmbito político quanto no da economia. De acordo com esse princípio, se você tem um problema qualquer com seu vizinho, o melhor a fazer, antes de qualquer outra providência, é tentar resolvê-lo conversando com ele e não recorrendo ao síndico do prédio. Se isso não resolver, recorra ao síndico e, se isso também não der certo, vá à administração de seu bairro e assim sucessivamente, até chegar ao governo federal.
Isso permite a qualquer um defender, por exemplo, com um arsenal de argumentos sólidos (que por uma questão de espaço deixo ao leitor a tarefa de descobrir), a adoção de moedas diferentes até mesmo entre bairros de uma mesma cidade, pois cada bairro tem suas características, sua história, seus botequins, escolas, cinemas, clubes, tipos de pessoas, tradições, costumes etc.  Ora, o euro é exatamente o oposto, porque é centralizador, coloca todo o poder nas mãos de um BCE, sem levar em conta que, até mesmo dentro de um mesmo país, existem diferenças marcantes de cultura, de hábitos e de costumes.  Um italiano do sul é muito diferente de um italiano do norte, embora ambos sejam italianos.  Um grego é diferente de um francês que, por sua vez, é diferente de um alemão que, por sua vez, difere de um português.
Assim, por uma questão de coerência, já que nós, austríacos, somos unânimes na defesa do princípio da subsidiariedade, não podemos aceitar o euro como uma instituição boa, o máximo que podemos admitir é aceitá-la como o menor dos males, a não ser que nosso lema passe a ser do tipo "subsidiariedade, ma non troppo"...
Nunca é demais lembrar que o maior defensor de um banco central mundial, para controlar a moeda e as taxas de juros e de câmbio em todo o planeta, foi Keynes e que a ideia de um governo mundial tem tinturas flagrantemente socialistas. Não há nada de austríaco em ideias desse tipo.
6º. O euro agride a história da moeda como uma ordem espontânea
Também este é um forte argumento contra o euro ou moedas semelhantes. Todos conhecem a história da moeda e dos sistemas monetários, de como o mundo evoluiu do sistema de economia de trocas até o estado atual da moeda eletrônica, passando pela mercadoria-moeda, pela moeda-commodity, pela moeda-papel, pelo papel-moeda e pela moeda escritural, tudo isso acontecendo como resultado da ação humana nos mercados — mas uma ação humana natural, não planejada. Ou, para usarmos a terminologia de Hayek: a moeda é uma ordem espontânea, tal como a linguagem e os próprios mercados.
Ninguém é capaz de dizer como será o sistema monetário daqui a — digamos — vinte ou trinta anos.  Quem poderia imaginar, cerca de vinte anos atrás, que poderíamos pagar nossas compras na padaria com um cartão de débito?  Ou que um brasileiro em viagem de turismo a Miami possa comprar um tênis em uma loja e pagá-lo com seu cartão de crédito?  Da mesma forma, quem pode antever com certeza o papel a ser desempenhado no sistema monetário, por exemplo, pelo bitcoin, pela deep web ou pelas impressoras 3-D, ou por qualquer outra invenção nova que vier a surgir?
Se a instituição da chamada "moeda de curso legal" já foi uma grande agressão a esse processo espontâneo, o euro não é um ataque menos relevante ao mesmo.  De uma hora para outra, de uma forma "planejada" — ou seja, absolutamente antiaustríaca —, tiraram de circulação moedas nacionais — cada uma delas valendo de acordo com a responsabilidade ou irresponsabilidade de seu governo emissor — e substituíram-na por uma moeda única, emitida por um banco central internacional, na crença ingênua de que, dali em diante, todos os governos dos países membros agiriam de maneira igualmente responsável, pelo bem de todos.  Suíça e Inglaterra, sabiamente, esquivaram-se de entrar na embarcação, desconfiadas de que poderia soçobrar.
Definitivamente, não compreendo — embora respeite suas opiniões — como economistas que defendem a liberdade individual e o livre mercado podem ser favoráveis a algo que representa, ao mesmo tempo, centralização de poder, monopólio e planejamento, como é o caso do euro.
7º. Taxas de câmbio são preços e devem ser determinadas por compradores e vendedores
Esse ponto talvez seja o mais polêmico entre os austríacos, já que muitos deles, incluindo o grande Mises, eram favoráveis a um regime de padrão-ouro com taxas de câmbio fixas.  Compreendo que o padrão ouro serviria para tornar menos aguda a disposição dos governos para devorar orçamentos e para emitir, mas sempre é bom lembrar que quem fixaria a taxa de câmbio seria esse mesmo agente devorador de recursos, isto é, o governo. Nada impediria, assim como o exemplo de Filipe III citado acima, que qualquer governo, movido por interesses políticos, mexesse na taxa de câmbio para obter dividendos políticos.
A taxa de câmbio é um preço e, portanto — e como é difícil para mim imaginar um austríaco que não pense dessa forma! —, deve ser determinada pelo processo de mercado, por compradores e vendedores.  Os argumentos de que isso prejudicaria o comércio internacional não procedem, porque têm forte apelo macroeconômico, algo profundamente anti-austríaco.
Observações finais
Reafirmo, para finalizar, que o sistema monetário que considero mais compatível com a cataláctica austríaca, com o processo de mercado, com a ação humana individual voluntária ao longo do tempo e em condições de incerteza genuína, passa pela extinção dos bancos centrais (nacionais ou internacionais), pelo fim do monopólio estatal do estado sobre a moeda, pela permissão aos bancos para emitirem cada um sua própria moeda, pela obrigatoriedade de manutenção de 100% de reservas por parte dos bancos e, de preferência, que tal sistema seja lastreado — aí sim — no ouro, sempre atendendo ao princípio da subsidiariedade e não centralizando as decisões.

Ubiratan Jorge Iorio é economista, Diretor Acadêmico do IMB e Professor Associado de Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  

A Ilusão do Monopólio Natural

Há uma disciplina na maioria dos cursos de Economia que se chama "Economia do Setor Público". Nesta, são vistos conceitos de bens públicos, externalidades, tributação e monopólios naturais. O argumento principal da existência de tais monopólios é que uma só empresa poderia ofertar o bem, devido o alto custo dos investimentos.

A condição que diferencia monopólio da competição é que o primeiro goza da posição de ser o único do mercado a produzir/ofertar um determinado bem, influenciando assim o seu preço, enquanto que em uma competição, uma  só empresa não tem o poder de influenciar o preço do bem.

Pois bem, quinta-feira dia 28/03, a Cagece (Cia de Água e Esgoto do Ceará) interrompeu o abastecimento em Fortaleza, alegando ter que fazer manutenção e que o período - feriadão de semana santa, seria mais propicio por ter menos gente na cidade, mas que ninguém se preocupasse, que já na sexta as coisas iriam se normalizar.

Ora, se você andar nas periferias da cidade  poderá perceber o quanto a camada mais pobre da população ainda carece deste serviço. Ela paga, mas nem sempre tem água em suas torneiras. Então, tem que apelar pro poço do vizinho ou para a mídia e seus programas populares, mendigando um serviço já pago.

Mas voltando ao aviso da Cagece, sexta-feira não se normalizou. Nem sábado. Pelo jornal local, soubemos que a empresa alongou o prazo até terça, isso mesmo, quatro dias depois do "combinado". E ai,  pergunto: porque mesmo apenas o Estado é apto a me ofertar tal serviço? Será mesmo que mais empresas ofertando tal serviço, o preço final serial inviável? Desde quando uma situação forçada é natural?

Muitos acreditam que os ditos monopólios naturais não podem ser disponibilizados pelo fato de que a iniciativa privada não seria capaz de ofertar o bem  de forma tão eficiente como o Estado, pois esta iria apenas se beneficiar do lucro e ofertaria um serviço pífio. O que parece haver é o desprezo à dinâmica proporcionada pela livre concorrência, solapada ainda mais pelo excesso regulamentatório que só beneficia alguns. 

Em termos gerais, o que se vê no Brasil é um governo que incentiva o comportamento lobista e concentrador de privilégios, minando assim os incentivos de um mercado realmente competitivo. Enquanto isso, milhares de pessoas ainda carecem de um serviço tão básico à condição humana e, claro, quem geralmente "paga o pato" é a parcela mais pobre da população, que fica refém da "eficiência" estatal.


domingo, 8 de setembro de 2013

BNDES aprova R$ 500 milhões para estocagem de etanol

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou nesta sexta-feira (6) o financiamento de R$ 500 milhões para a estocagem de etanol para Copersucar, que reúne 47 associadas.
Os recursos fazem parte do Programa de Apoio ao Setor Sucroalcooleiro (PASS). A operação será realizada por meio dos bancos Itaú BBA, Santander Brasil, Bradesco e Safra. Em 2010, a empresa já havia feito outra operação indireta no âmbito do PASS, no valor de R$ 190 milhões.
"O apoio do BNDES tem sido fundamental para gerar mais competitividade ao setor sucroenergético brasileiro. A operação com a Copersucar contribui para o adequado abastecimento de etanol no mercado brasileiro e reforça a liderança global da empresa no setor", afirmou o diretor-presidente da Copersucar, Paulo Roberto de Souza, em comunicado.O financiamento deve ajudar a maior comercializadora de etanol do mundo com os custos de carregamento dos estoques, evitando que as usinas vendam o produto de forma acelerada na safra e eventual escassez na entressafra, destaca a Reuters. Dessa forma, a medida permite que os preços oscilem menos entre períodos de safra e entressafra.
Na safra 2012/13, a Copersucar comercializou 7,8 milhões de toneladas de açúcar e 4,5 bilhões de litros de etanol, correspondente a 20% de toda a produção brasileira.
Após a recente aquisição da norte-americana Eco-Energy, a Copersucar passou a ser a maior empresa comercializadora de etanol do mundo.
O BNDES PASS tem uma dotação de R$ 1 bilhão. A carteira atual do programa é de R$ 790 milhões, dos quais R$ 341 milhões estão contratados, R$ 432 milhões aprovados e R$ 17 milhões em análise.
Do G1, em São Paulo

OGX exige investimento de US$ 1 bilhão de Eike

A petroleira OGX exige que o empresário Eike Batista coloque até US$ 1 bilhão da empresa, conforme havia sido acordado, segundo comunicado da empresa ao mercado, divulgado nesta sexta-feira (6).
ChChairman do grupo EBX, Eike Batista, comparece a conferência econômica em Bervelly Hills, na Califórnia. (Foto: Reuters)
Eike Batista terá de subscrever ações até
US$ 1 bilhão. (Foto: Reuters)
Eike vai subscrever - o que equivale a se comprometer com a compra - novas ações ordinárias de emissão da companhia ao preço de exercício de R$ 6,30 por papel. Nesta sexta, por volta das 12h40, as ações valiam R$ 0,50, com a alta de 21,95%.
Pelo comunicado, a empresa pede o desembolso imediato de US$ 100 milhões "e o saldo de forma modulada diante da necessidade de caixa adicional pela companhia, conforme determinação de sua administração".
A empresa disse ainda que a diretoria proporá uma reunião extraordinária do conselho de administração para convocar a assembleia geral para aprovar o imediato aumento de capital social de US$ 100 milhões.
O mercado vê dificuldade para Eike colocar à disposição da empresa a opção de US$ 1 bilhão, acordado em outubro do ano passado por meio da exigência da subscrição de ações da companhia até o limite máximo deste valor. Na prática, o direito permite que a companhia exija de Eike o aporte desse valor na empresa.

As duas agências de risco que rebaixaram a nota de risco da empresa apontaram a dificuldade da realização deste aporte entre os motivos do rebeixamento.A opção poderá ser exercida pela OGX a qualquer momento até 30 de abril de 2014, conforme necessidades de capital da OGX e ausência de alternativas mais favoráveis, condições que serão determinadas pela maioria dos membros independentes do Conselho de Administração.
Na época, Eike disse que a opção concedida era um sinal de confiança nos ativos da companhia, "bem como nas novas oportunidades que o setor de óleo e gás oferece à OGX".

Da Reuters

EUA geram 169 mil vagas em agosto e taxa de desemprego cai a 7,3%

A economia dos EUA adicionou 169 mil vagas em agosto, depois de um acréscimo de 104 mil empregos em julho, em dado revisado, divulgou nesta sexta-feira (6) o Departamento do Trabalho do país.
Alguns economistas esperavam uma geração líquida de 175 mil a 180 mil postos de trabalho.
Por sua vez, a taxa de desemprego caiu para 7,3% no mês passado, em meio a expectativa de marcar 7,4%, leitura apurada em julho. Em agosto de 2012, a taxa estava em 8,1%, diz a agência Valor Online.

Em agosto, o número de contratos de desempregados a 27 semanas ou mais ficou praticamente inalterado em 4,3 milhões e representam 37,9% dos desempregados, diz o departamento.
O levantamento vem em momento em que os integrantes do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) discutem a situação da economia para definir quando começam a retirar os estímulos implementados para impulsionar a atividade.
O Fed tem reunião sobre política monetária nos dias 17 e 18 deste mês.
Do G1, em São Paulo

Economia mundial se recupera, mas ainda não há fim da crise, diz G20

O G20 informou nesta sexta-feira (6) que a economia mundial está melhorando, mas que ainda é muito cedo para declarar o fim da crise num momento em que os mercados emergentes enfrentam crescente volatilidade.
O grupo, que reúne as principais economias do mundo, representa 90% da economia mundial e dois terços de sua população --reconheceram os problemas enfrentados por emergentes, mas disseram que cabe a eles colocar as próprias casas em ordem.
Líderes do G20, em foto oficial na cidade de São Petersburgo, na Rússia (Foto: AFP)Líderes do G20, em foto oficial na cidade de São Petersburgo, na Rússia (Foto: AFP)
A perspectiva de que o Federal Reserve poderá diminuir sua política monetária expansionista já neste mês trouxe fortes turbulências para algumas economias emergentes.
Os integrantes do G20 tiveram dificuldades para encontrar um terreno comum sobre os efeitos desencadeados pela perspectiva de os Estados Unidos reduzirem a sua impressão mensal de dinheiro.
Após a divulgação do comunicado, os mercados financeiros se fixaram no relatório mensal de empregos nos EUA, que veio mais fraco do que o esperado, o que complica a decisão do Fed sobre a possibilidade de reduzir seu estímulo monetário neste mês.Comunicado emitido no fim da cúpula de dois dias em São Petersburgo, na Rússia, trouxe comentários sobre a economia mundial praticamente em linha com os que foram divulgados após encontro de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais em julho, em Moscou, exigindo que as mudanças na política monetária devem ser "cuidadosamente calibradas e claramente comunicadas".
As exigências lideradas pela Alemanha de metas obrigatórias para ampliar os objetivos de redução de dívida definidas em cúpula sediada pelo Canadá em 2010 ficaram para trás, uma vez que o foco mudou firmemente para a promoção do crescimento.
"Estratégias fiscais de médio prazo ... serão implementadas de forma flexível para levar em conta as condições econômicas de curto prazo, de modo a apoiar o crescimento econômico e a criação de emprego, ao mesmo tempo colocando a dívida como proporção do PIB em um caminho sustentável", disse o comunicado da reunião.
FMI
Ao final do encontro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) emitiu nota tratando dos principais desafios a serem enfrentados pela economia mundial.

"Os líderes reconhecem que ainda há muito a ser feito para que a economia mundial trabalhe melhor. O crescimento global permanece fraco, e os riscos para a estabilidade e volatilidade de mercado persistem. Assim como algumas economias avançadas começaram a ganhar impulso, muitos mercados emergentes estão em desaceleração", disse a diretora do fundo, Christine Lagarde, em nota.
Da Reuters

Abilio Diniz fecha acordo com Casino e deixa o Grupo Pão de Açúcar

O empresário Abilio Diniz chegou nesta sexta-feira (6) a um acordo com o grupo francês Casino e anunciou sua renúncia à presidência do conselho de administração do Grupo Pão de Açúcar (GPA), empresa fundada por seu pai em 1948.
"Estou feliz de pôr fim a esses dois anos de luta", afirmou o empresário, em pronunciamento em São Paulo. "Renuncio à presidência e aos meus poderes lá", acrescentou.
"Na véspera do dia que simboliza a liberdade do Brasil, eu também abraço a minha liberdade para continuar perseguindo os meus sonhos", completou.
O acordo sela o fim do conflito com o Casino como também a saída de Abilio do Pão de Açúcar, que já era controlado pelo grupo francês desde junho de 2012. A partir de agora, o empresário será apenas acionista, sem direitos políticos na empresa.
Eu também abraço a minha liberdade para continuar perseguindo os meus sonhos"
O Casino cobrava a saída de Abilio da presidência do conselho do GPA desde que o empresário também passou a acumular a presidência do conselho da BRF - um dos maiores fornecedores do Pão de Açúcar. Os termos do acordo feito com o Casino em 2005 garantia que o empresário permanecesse no cargo mesmo depois da transferência do controle do grupo aos franceses.
Por várias vezes durante a entrevista, Abilio disse que os últimos anos não foram fáceis ao se referir à disputa com o Casino. "Os últimos dois anos não foram fáceis e, hoje, com alegria, encontramos uma solução suficientemente boa para todos", disse, agradecendo à família por tê-lo "aguentado" nestes dois anos "que não foram prazerosos".
Abílio lembrou ainda que ele comunica a renúncia exatamente 65 anos depois de seu pai, Valentim dos Santos Diniz, fundar o Pão de Açúcar, em 7 de setembro de 1948.

Termos do acordo
Foi decidido que Abílio trocará as ações ordinárias que tem na Wilkes, holding controladora do GPA, e receberá ações preferenciais, as negociadas em bolsa, na razão de 1 para 1. Com isso, o empresário passará a ter cerca de 9% das ações preferenciais do Grupo Pão de Açúcar – aquelas que não dão direito a voto - juntando com os cerca de 2% de ações ordinárias que ele tinha anteriormente ao negócio.

O empresário destacou que considera o investimento no Pão de Açúcar "excelente" e que não planeja novas vendas de ações preferenciais.Em fato relevante, o GPA informou que o Casino trocará 19,375 milhões de ações preferenciais do Pão de Açúcar pela mesma quantidade de ordinárias emitidas pela Wilkes detidas por Abilio.
Em comunicado conjunto, Abilio e Jean-Charles Naouri, presidente do Casino, afirmaram que decidiram "terminar suas disputas e concluir sua parceria de maneira benéfica para ambos, de forma que cada um possa livremente seguir em frente e perseguir novas oportunidades".
Pelos termos, o acordo Wilkes deixa de existir e os conselheiros Luiz Fernando Figueiredo e Modesto Carvalhosa também renunciam ao conselho de administração do Pão de Açúcar.
As duas partes também decidiram encerrar todos os litígios que têm entre si. Abilio afirmou, porém, que o acordo não foi motivado por temores em relação ao Cade impedir a atuação dele ao mesmo tempo na presidência dos conselhos do Pão de Açúcar e da BRF. O motivo de ter ocorrido neste momento, disse, foi o de terem conseguido um acordo.

O Casino conseguiu, porém, barrar a iniciatiba de Abilio. O conselho de administração do grupo francês rejeitou a oferta de fusão e o BNDES não confirmou o apoio, o que impediu o avanço do projeto de fusão. Na ocasião, o Casino argumentou que a fusão teria o objetivo de impedir que o grupo assumisse o controle do Pão de Açúcar, como previa o acordo assinado em 2005.Entenda o caso
A saída de Abilio da presidência do Conselho do Pão de Açúcar põe fim a uma conturbada relação do empresário com o Casino. As relações do brasileiro com o grupo francês se deteriorou desde que o empresário tentou uma fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour no Brasil em 2011.

As desavenças entre as duas partes se agravaram neste ano, quando o empresário foi eleito para ser a presidência do conselho da BRF, uma das maiores companhias de alimentos do Brasil e que tem o Pão de Açúcar como seu principal distribuidor de produtos no mercado interno. 
Após transferir o controle da varejista ao Casino, no ano passado, Abilio reduziu de forma significativa sua presença no capital da varejista. Em apenas três leilões de venda de ações preferenciais em seu portfólio desde o fim de 2012, ele embolsou mais de R$ 2,5 bilhões.
Íntegra do comunicado conjunto de Abilio Diniz e Jean-Charles Naouri:
"Movidos pelo sentimento de respeito mútuo, Abilio Diniz, Presidente do Conselho do Grupo Pão de Açúcar, e Jean-Charles Naouri, Presidente do Conselho do Grupo Casino, decidem terminar suas disputas e concluir sua parceria de maneira benéfica para ambos, de forma que cada um possa livremente seguir em frente e perseguir novas oportunidades.

Abilio Diniz e Jean-Charles Naouri assinaram acordo nesta sexta-feira (6) (Foto: Divulgação)
Abilio Diniz e Jean-Charles Naouri assinaram acordo
nesta sexta-feira (6) (Foto: Divulgação)
Esse é um momento importante na história de negócios no Brasil, sendo que há exatamente 65 anos - em 7 de setembro de 1948 - a família Diniz fundava o Grupo Pão de Açúcar, a maior empresa de distribuição do Brasil.
Abilio Diniz deseja muito sucesso ao Sr. Naouri e ao Grupo Casino. Ele expressa seus desejos mais sinceros para que o Grupo Pão de Açúcar continue crescendo com suas pessoas, sua cultura e seus valores, contribuindo para o desenvolvimento do país.
Jean-Charles Naouri expressa sua gratidão pelas muitas contribuições do Sr. Diniz e de sua família, e deseja muito sucesso em seus projetos futuros. Sr. Naouri espera continuar estimulando o crescimento do GPA em benefício de seus consumidores, funcionários, acionistas e da sociedade brasileira."
Íntegra de carta lida por Abilio:
"Em 7 de setembro de 1948 meu pai, Valentim dos Santos Diniz, fundou o Pão de Açúcar. Desde então dediquei a minha vida à construção deste sonho. Hoje, exatos 65 anos depois, encerro um importante ciclo dessa história de sucesso para a empresa, para a nossa família e para mim.

É com emoção que renuncio à presidência do Conselho do Grupo Pão de Açúcar. Tenho comigo sentimentos de gratidão, felicidade, realização, respeito e orgulho por essa empresa, por essa gente e por esse país.

Na véspera do dia que simboliza a liberdade do Brasil, eu também abraço a minha liberdade para continuar perseguindo os meus sonhos. Como costumo dizer, quero hoje ser melhor do que ontem e, amanhã, melhor do que hoje.

No Pão de Açúcar sempre buscamos a eficiência, o crescimento e o êxito, com muito trabalho e dedicação, e assim construímos uma empresa única, admirada no Brasil e no mundo. Perseguimos sempre a felicidade e não é à toa que o Pão de Açúcar tem como slogan “Lugar de Gente Feliz”.

Levo comigo os desafios, as conquistas, as derrotas, as vitórias e, acima de tudo, os aprendizados. É claro que num momento como esse também sinto tristeza; tristeza pela saudade que terei da empresa, das pessoas, das lojas e dos símbolos que tanto amo.
Mas assim é a vida. É preciso ter sabedoria para aceitar as mudanças. É preciso se reinventar e ir em frente. Seguirei a minha vida empresarial fazendo aquilo que sempre fiz, com coragem, correção, alegria e determinação, descobrindo e aceitando novos desafios. Peço a Deus que continue me dando saúde e iluminando o meu caminho, assim como o de vocês.

Agradeço a todos que compartilharam comigo esse sonho, a começar pelos meus pais, Valentim e Floripes, meus irmãos, minha mulher, Geyze, meus filhos Ana Maria, João Paulo, Adriana, Pedro Paulo, Rafaela e Miguel, e aos que, ao longo desses 65 anos, trabalharam e colaboraram com o Pão de Açúcar – são milhares de pessoas que dedicaram suas vidas para fazer dessa empresa realmente um lugar de gente feliz. Agradeço também a todos os consumidores e parceiros que acreditaram em mim e no Pão de Açúcar, mesmo nos momentos mais desafiadores da nossa história.

Sinto-me realizado por liderar o Grupo Pão de Açúcar por todos esses anos. Sinto que contribuí com o meu trabalho e a minha liderança e deixar esse legado me faz muito feliz.
Os últimos dois anos não foram fáceis e, hoje, com alegria, encontramos uma solução suficientemente boa para todos.

Desejo ao Grupo Casino e aos acionistas do Pão de Açúcar sucesso na condução dessa empresa, que ela continue crescendo com a sua gente, a sua cultura e os seus valores, contribuindo para o desenvolvimento do nosso país e sendo sempre um lugar de gente feliz."

Fonte: Simone Cunha
Do G1, em São Paulo

sábado, 31 de agosto de 2013

"Uma bolha não é algo que estoure de repente', diz Shiller

Robert Shiller, economista e professor da Universidade de Yale
O economista e professor da Universidade Yale, Robert Shiller, ficou conhecido por ter previsto a crise no setor imobiliário dos EUA. Em entrevista ao site de VEJA, ele comenta que há indícios de formação artificial de preços também no Brasil

Cerca de três anos antes de o banco de investimentos Lehman Brothers anunciar a falência, em setembro de 2008, o renomado economista Robert Shiller, professor da Universidade Yale, já previa que a economia dos Estados Unidos poderia entrar em colapso. A crise prevista por Shiller, no entanto, não se referia à quebra do banco em si, mas à formação de uma "bolha" no mercado imobiliário dos EUA. Mas a queda do Lehman foi a agulha que estourou a crise financeira americana, que deixou consequências até os dias de hoje.
O termo "bolha" tem sido usado amplamente para designar uma situação em que os preços de determinado setor inflam fortemente sem qualquer sustentação. Esse valor artificial só é percebido quando os preços caem. É, literalmente, como uma bolha de sabão, sensível a qualquer movimento mais forte.
Em entrevista ao site de VEJA, Shiller explica que o termo "bolha" é uma metáfora infeliz por parecer algo que se rompe repentinamente. Para ele, uma "bolha" é, na verdade, algo cíclico que pode inflar e desinflar ao longo do tempo - algo mais parecido com uma bexiga.
O reconhecimento ao trabalho de Shiller está no índice Standard and Poor's Case/Shiller, que serve de referência para os preços do mercado imobiliário dos EUA. Sobre a situação brasileira, o economista explica que "há indícios" da formação de uma "bolha" no mercado de imóveis. Ele diz que o Banco Central poderia atuar, ainda que tardiamente, para evitar consequências mais graves de uma forte alta dos preços dos imóveis. Neste sábado, Shiller estará no Brasil, onde participa do 6º Congresso Internacional de Mercado Financeiro e de Capitais, organizado pela BM&FBovespa, em Campos do Jordão. Confira trechos da entrevista:
Desde a crise imobiliária dos EUA, o termo “bolha” tem sido usado para designar inúmeros males econômicos. Como o senhor define esse conceito? 
Eu acho que a metáfora “bolha” vem de 1720, do mercado europeu, de um episódio que ficou conhecido como a “bolha de Mississipi”. A metáfora sugere que se trata de uma explosão repentina. As bolhas de sabão vão crescendo até estourarem de forma catastrófica. É uma metáfora infeliz porque, na economia, as bolhas geralmente não estouram de repente. Na verdade, elas podem encolher durante um longo período de tempo. A bolha dos preços dos imóveis no Japão, que se formou nos anos 1980 e que teve seu pico no começo de 1999 está desinflando até hoje, por exemplo. Ela está perdendo tamanho há vinte anos. Eu acredito que as bolhas sejam formadas por fenômenos sociológicos, elas são criadas pelos pensamentos das pessoas. E o pensamento não muda da noite do para o dia. Os movimentos repentinos no mercado financeiro acontecem tanto para cima quanto para baixo. Por exemplo, o mercado financeiro dos Estados Unidos teve uma tendência de queda entre 1929 e 1932, foram quase três anos de queda. Mas isso não quer dizer que de repente ele estourou.

É possível prever o momento da contração da bolha?
Nos Estados Unidos, por exemplo, isso aconteceu em 2005, ou seja, três anos antes da crise do Lehman Brothers. A crise do Lehman Brothers foi um efeito colateral da crise imobiliária. Eu tentei voltar para 2005 para analisar o que mudou de lá para cá. O que eu vejo que mudou é que as pessoas aprenderam a palavra “bolha”. Elas nem sabiam o que significava até então. Eu sei disso porque eu fiz pesquisas com perguntas diretas às pessoas. Por volta de 2003, por exemplo, ninguém havia mencionado a palavra “bolha”. O que todos diziam é que “imóvel era o melhor investimento”. Depois da crise dos anos 2000 ficou a impressão de que os imóveis não são bons investimentos, mas eles são, porque as pessoas sempre vão querer moradia. O que as pessoas não percebem é que se os preços sobem um dia eles caem.
 
No Brasil, o senhor acredita que exista uma bolha no mercado imobiliário causada pelos estímulos ao crédito?
Analisando os indicadores de preços de imóveis do Brasil pode-se perceber que os preços vêm dobrando. Eu suspeito que haja a formação de uma bolha.  Uma boa evidência é comparar sempre os preços do imóvel com o do aluguel. Nos Estados Unidos, por exemplo, os imóveis tiveram alta a um ritmo mais avançado do que o dos aluguéis. Eu não pude ver os preços dos aluguéis no Brasil, mas acredito que isso esteja acontecendo também. Isso é crítico porque não é que de repente as pessoas queiram consumir mais casas, mas esse apetite pelas compras é motivado pelo investimento. Isso é um problema. Meu temor é porque as pessoas agora estão tomando empréstimos para comprar imóveis. Se os preços entrarem em colapso, vai incorrer no mesmo tipo de problema que tivemos nos Estados Unidos. Isso pode ser convertido em uma recessão. 

O que pode ser feito para evitar esse cenário? O governo tem poder para impedir?
O governo deveria se manifestar contra a formação de bolha, eles precisam acreditar que trata-se de uma bolha. E ele deveria fazer um aperto na oferta de crédito. Também pode-se fazer uma legislação que puna a oferta irresponsável de crédito. Uma outra medida interessante é contratar mais reguladores. A regulação é custosa, você não pode fazê-la de uma forma crua. É preciso saber quem é o emprestador responsável e quem não é. Isso se descobre com investigação e isso é custoso.

Esta semana o Fundo Monetário Internacional emitiu um relatório que recomenda que os bancos públicos brasileiros diminuam o ritmo de concessão de crédito. Qual sua opinião sobre isso, pensando no impacto no mercado imobiliário?
O banco de Israel fez isso. Eles estavam criando uma bolha imobiliária. Na China, as autoridades criaram barreiras para evitar a compra do segundo imóvel, por exemplo.
O que acontece para que se forme uma bolha é o fato de as pessoas se apressarem para comprar até cinco casas, elas querem comprar quanto for possível. Foi isso o que aconteceu nos Estados Unidos, a compra do segundo imóvel cresceu substancialmente. Isso é um problema, se muitos compram mais de um imóvel, os preços sobem.

Nossa situação é também um pouco diferente, há um déficit de moradias...
É difícil explicar isso porque eu teria que analisar a situação do Brasil.

Uma regulação mais rígida pode evitar que uma bolha seja criada?
É difícil evitar isso completamente. O problema é que sempre tem alguém que nega a existência de uma bolha. Eu estava muito atento a isso na formação da bolha norte-americana. Eu tentei debater com as pessoas a existência de uma bolha em 2005 e 2006. Algumas dessas discussões foram televisionadas em um programa da CNBC. Isso foi em 2005. Eu discuti com economistas que escreveram longos artigos que tinham tabelas e estatísticas, ridicularizando a existência de bolhas. Eu tive dificuldade para vencer os argumentos deles. Isso porque é difícil provar uma bolha. 

Como se prova que há uma bolha?
É difícil, mas se você conseguir prová-la é possível também colocar fim. As pessoas têm a impressão de que a alta dos preços é um avanço da economia, e que isso vai tornar as pessoas mais ricas, mas elas não têm noção das estatísticas. Isso não é a verdade. Pode-se observar, por exemplo, a evolução dos preços dos imóveis em comparação com a evolução dos preços dos aluguéis, que deveriam aumentar na mesma proporção. Uma diferença é um indicativo de bolha. Se for feita a correção com a inflação, os preços deveriam ficar quase que estáveis. Eu peguei dados no intervalo de 100 anos nos Estados Unidos dos preços dos aluguéis e os preços caíram em vez de aumentar. Além disso, nossa economia tornou-se mais eficiente, nossa forma de construção também, isso barateia o custo de construção e os preços deveriam ser menores. 
 
O Brasil vive uma situação de “bolha” do consumo?
O Brasil teve um “turning point” na década de 1990 com o controle inflacionário. Mesmo hoje, a inflação no país é moderada. Sobre o crescimento, o que aconteceu com o Brasil foi o mesmo que aconteceu com a China e com todos os Brics. Houve um sentimento de “milagre”. Eu acho que essa ideia de milagre desses países como China, Brasil, Rússia e Índia se espalhou pelo mundo. Mas esse tipo de milagre não dura para sempre, ele acaba mais cedo do que se espera.  No meu livro “Espírito Animal”, eu digo que a confiança não é um fator exógeno. Mas que ela é conduzida, substancialmente, por histórias da mente humana, a capacidade do cérebro humano de armazenar as boas histórias. Eu não sei como analisar o Brasil, não faz parte da minha realidade. O que eu me lembro é da vitória do presidente Lula, cuja eleição trouxe medo para muitos, mas ele acabou se tornando pragmático na economia e isso trouxe confiança às pessoas.


Fonte: VEJA
Talita Fernandes

Dólar não será moeda de referência 'para sempre', diz Nobel de economia

Durante passagem pelo Brasil nesta sexta-feira (30), o vencedor norte-americano do prêmio Nobel de economia de 2011 Thomas Sargent disse que a referência do dólar como moeda internacional não será “para sempre”. “Em 40, 50 anos, os Estados Unidos não dominarão a moeda internacional, e isso terá conseqüências”, afirmou o estudioso, em palestra do 6º Congresso Internacional de Mercados Financeiro e de Capitais, em Campos do Jordão.
Apesar de não apontar a divisa que substituiria o dólar como moeda global, Sargent indicou que poderia vir da Ásia ou até do Brasil, de quem conduzisse melhor sua economia.  
Antes de desembarcar no Brasil, o economista disse ter se comprometido a não fazer críticas – nem análises – sobre o país enquanto os Estados Unidos “não estiverem bem”. No entanto, destacou que a inflação galopante vivida pelo Brasil, principalmente na década de 1990, deixou o país muito mais alerta ao problema – o que seria uma vantagem em relação aos Estados Unidos.  
“O Brasil tem uma grande vantagem em relação aos Estados Unidos. Vocês tiveram inflação e sabem como é, sabem como é ter, o que significa que vocês estão muito mais alertas. O Brasil nos ensinou que a inflação é onerosa para os pobres.”

Thomas Sargent participa do 6º Congresso Internacional de Mercados Financeiro e de Capitais, em Campos do Jordão (Foto: Anay Cury/G1)
Thomas Sargent participa do 6º Congresso Internacional de Mercados Financeiro e de Capitais, em Campos do Jordão (Foto: Anay Cury/G1)
Nascido em julho de 1943, Sargent se formou bacharel em 1964 na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e tornou-se PhD em 1968 pela Universidade Harvard. Se especializou no campo da macroeconomia, economia monetária e econometria de séries temporais. Ele é conhecido como “um dos líderes da revolução de expectativas racionais” e autor de numerosos artigos que romperam barreiras.

Em uma série de artigos escritos durante os anos 1970, Sargent mostrou como os modelos macroeconômicos estruturais podem ser construídos, resolvidos e estimados. Sua abordagem acabou sendo particularmente útil na análise de política econômica, mas também é utilizada em outras áreas de macroeconometria e pesquisa econômica.

Sargent mostrou como a macroeconometria estrutural pode ser utilizada para analisar mudanças permanentes na política econômica. Esse método pode ser aplicado para estudar relações macroeconômicas quando famílias e empresas ajustam suas expectativas simultaneamente com os desenvolvimentos econômicos.

Atualmente, ele é professor de Economia e Negócios na Universidade de Nova York.

Fonte: G1.com.br

Situação Econômica do Estado de Pernambuco


 As ultimas leituras dos dados econômicos sobre o estado de Pernambuco divulgadas  pelo IBGE , mostram que a crise econômica não atingiu diretamente a cadeia produtiva do nosso estado, por causa  dos investimentos feitos no Porto de Suape, através da Refinaria e da grande contratação de mão-de-obra para a construção do Estaleiro Atlântico Sul.
 Assim como as obras de transposição do Rio São Francisco no Sertão, e a construção das obras da Transnordestina que vem do interior até a capital no Porto de Suape, gerando empregos diretos e indiretos, elevando o estado a um patamar de crescimento nunca antes visto, que teve sua complementação com as obras do PAC 1, PAC 2 e da fábrica da FIAT, que ajudaram a desenvolver urbanisticamente as cidades que formam um clusters em seu entorno contribuindo para diminuir cada vez mais o déficit habitacional.
Mais os problemas que pareciam estar sanados vem aumentando a cada dia, ora por causa de problemas estruturais e naturais, que o estado ainda vem sofrendo, ora  como a seca do ultimo ano, ou com a baixa qualificação profissional que já foi verificada em municípios que receberão grandes fábricas como o de Goiana.
Ainda assim o Estado apresenta um acumulo na sua  dívida pública,  que está cada vez maior, passando dos 7,237 Bilhões  o que representa uma menor eficiência na gestão pública. Que mesmo com a taxa de crescimento sendo acrescida em torno de 1,9% no PIB do primeiro trimestre, fica no mesmo nível da taxa nacional e de outros estados do nordeste,  como o estado do Ceará, e da Bahia com 1,4%, que por sua vez perdeu espaço para Pernambuco no setor da agricultura, mais ganhou no setor industrial.
Entretanto no acumulado do ano, depois de baixas tremendas com a seca o Estado voltou a se recuperar em alguns setores, mais já demonstra preocupação em outros como o setor de serviços que é o grande carro chefe que comporta a grande maioria dos empregos na região metropolitana do Recife.
 O que podemos dizer é que o Estado ainda deve apresentar algumas previsões positivas a curto prazo, pelo menos até 2014, mais o cenário para o futuro parece mais incerto mesmo com o funcionamento da FIAT, porque a população vem sentindo muito com a redução do crédito, o aumento dos juros e a inflação acumulada que vem tirando muito o sono dos Pernambucanos, que cada vez  mais tem os seus salários sendo depreciados, afetando toda a cadeia produtiva.
 Onde o governo Federal busca controlar a inflação com remédios monetários,  como a alta dos juros divulgados está semana  pelo Banco Central que já chega aos 9% a.a, o que representa um freio no desenvolvimento, e uma redução brusca na geração de empregos e renda.
O que nos leva a um dilema: "pois de que vale, aumentar os juros, buscando conter a inflação, se o governo não busca reduzir os seus impostos e seus gastos, levando, o que nos leva a um acumulo da dívida pública cada vez maior dos estados e da nação". 

Autor : David Batista

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Médico cubano sai de hotel para caminhar e não retorna


O médico cubano José Ricardo Marin Forno, 46 anos, ginecologista, saiu nesta manhã (22), de um hotel no centro de Cascavel para caminhar, e até agora não retornou.

Ele veio ao Brasil em busca de integrar aos serviços anunciados pela presidente Dilma, através do programa " Mais Médicos". Ao deixar Cuba desembarcou, primeiro, no Paraguai e ao entrar no Brasil, recebeu boas informações sobre a cidade de Cascavel e escolheu a capital do Oeste para iniciar o processo de habilitação a uma vaga de médico aqui no país.

Esteve na Polícia Federal, em Cascavel, e de posse do "Refúgio" foi a Receita Federal para providenciar o CPF, em seguida foi ao Ministério do Trabalho, iniciou o processo de emissão da Carteira, esteve em uma agência bancária no centro, abriu conta, e já fazia planos para alugar um apartamento.

A Polícia Civil já está investigando o caso.

Mauricio Dias: Marina sai do páreo, Serra entra
















Mauricio Dias: Talvez o ex-governador deixe de ser tucano; já a candidatura da ex-ministra parece impossível
por Mauricio Dias, em CartaCapital, encaminhado via e-mail por Julio Cesar Macedo Amorim
Parece definida a situação de Marina Silva em relação à eleição presidencial de 2014. Como não há mais tempo hábil para cumprir as exigências legais para a Rede Sustentabilidade formalizar o registro junto ao TSE, ela não tem opção. Fica fora da competição ou, até o dia 4 de outubro, põe o pé no estribo do primeiro bonde que passar. No entanto, Marina tornou proibido falar em “plano B”.
Não há espaço para ela no PSOL. Não há como retornar ao PV, com o qual rompeu após disputar a eleição de 2010 e “arrancar” quase 20 milhões de votos. Talvez ela seja bem recebida no PPS, que tem como preferência, no entnato, a adesão de José Serra, caso ele decida dar adeus ao PSDB.
Sem Marina Silva no páreo, a situação, em tese, favorece Dilma, com a popularidade em recuperação. As precoces pesquisas indicam que, neste caso, se a eleição fosse hoje, ela venceria no primeiro turno se os adversários fossem Aécio Neves e Eduardo Campos.
O quadro de candidatos ainda está tão indefinido quanto o da economia. Um fator predominante na eleição de 2014.
Para onde escoaria a votação de Marina, considerando que é um voto de forte conteúdo antipartidário? Ela reproduziria a decisão de não apoiar ninguém, como fez no segundo turno de 2010? Até quando ela vai evitar o jogo político? Talvez quando a bem-aventurada Marina entender, como já foi dito, que a política é uma atividade para pecadores.
Além de perder a corrida contra o tempo, Marina engasgou com as mais de 800 mil assinaturas coletadas em um ano. Era preciso, no entanto, certificar em cartório. Somente 250 mil foram reconhecidas oficialmente. A metade do que a legislação exige para a formação de partido. Esse número expressa o mínimo exigido pela legislação: 0,5% dos votos dados na última eleição para a Câmara dos Deputados, não computados os brancos e nulos. Isso corresponde a exatamente 491.656 assinaturas certificadas em cartório de, pelo menos, nove estados.
Marina acusou a lentidão dos cartórios. Foi vítima da burocracia que, quando não falha, tarda. Em gesto de desespero, propôs ao TSE entregar mais de 600 mil sem conferência para obter, em confiança, o registro do partido. Ela pede o impossível: que o tribunal abra uma exceção.
Mas eis que, de São Paulo, chegaram notícias ruins. A Justiça Eleitoral identificou indícios de fraude na coleta de assinaturas para a criação do partido. O Ministério Público Eleitoral e a polícia foram mobilizados em alguns municípios paulistas.
Somente o registro perante o TSE garante a participação no processo eleitoral. Marina não cumpriu as exigências preliminares para chegar a essa etapa que, em geral, consome cerca de 30 dias. Basta conferir o calendário. O tempo passou.
Andante Mosso:
No PSOL, quem forçava a coligação com Marina Silva já está de malas prontas. É o caso, entre outros, dos vereadores Heloisa Helena (AL) e Jefferson Moura (RJ). “Dialogar, sim, coligar não”, reafirma o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).