quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Sete argumentos austríacos contra o euro

Em artigo recente publicado neste site, manifestei por que tenho motivos para não acreditar no euro, em contraposição à defesa do mesmo por parte do Professor Jesús Huerta de Soto.  
Nunca é demais repetir o que frisei no primeiro parágrafo de meu artigo mencionado: embora seja unanimidade entre os economistas da Escola Austríaca que o melhor sistema monetário é aquele baseado na plena liberdade de escolha das moedas, há divergências quanto ao formato do sistema monetário e cambial que cada um considera como o mais adequado para assegurar o que é consenso entre eles: a economia de mercado, o respeito às regras de subsidiariedade, as liberdades individuais, os direitos de propriedade, a crítica ao nacionalismo econômico, a austeridade fiscal e monetária dos estados e, o que é mais importante, aquilo que podemos denominar de "a despolitização do dinheiro".
Os defensores do euro argumentam, com razão, que o padrão-ouro, como Mises sempre afirmou, serve como um freio para separar a determinação do poder aquisitivo da moeda das ambições e doutrinas dos partidos políticos e dos grupos de pressão, e que o euro seria uma boa forma para a obtenção dessa separação, que é desejada por todos os economistas austríacos, sejam eles favoráveis ou não à moeda europeia única. Neste artigo aprofundarei e estenderei um pouco mais minhas objeções ao euro, com base nos argumentos marcantemente austríacos que listarei e comentarei brevemente em seguida, em ordem de importância aleatória.
1º. O euro não foi capaz de assegurar a separação entre o dinheiro e a política
No artigo mencionado, observei, como Philipp Bagus, que, infelizmente, a adoção do euro deu respaldo a que vários governos independentes pudessem usar um sistema de bancos centrais para financiar seus gastos, emitindo títulos públicos que podem ser comprados pelo sistema bancário e usando esses papéis como colaterais para garantir novos empréstimos junto ao Banco Central Europeu.  Assim, a base monetária aumenta e os preços tendem a subir, não só no país deficitário, como em toda a zona do euro. Vemos, então, que os governos encontraram no euro uma forma de transferirem os gravames sobre seus déficits para outros países da comunidade, bem como para o resto do mundo, sob a forma de senhoriagem.
Se um país financia um pequeno déficit de 1%, mas os preços de toda a zona do euro sobem 10%, é provável que caiam os gastos reais do governo, bem como seu poder político, mas a inflação de preços depende do financiamento do déficit global da Comunidade Econômica Europeia.  Isto significa que, se outros governos têm déficits mais elevados, aquele governo mais responsável e austero, que não produza déficit orçamentário ou que mantenha um déficit menor pode estar perdendo na redistribuição intereuropeia, o que significa um prêmio ao mau comportamento e um castigo ao bom.
E mais: quanto maior o déficit de um governo em relação aos déficits dos outros estados-membros, mais fácil para este governo transferir os custos de sua irresponsabilidade para os estrangeiros!  É uma dinâmica explosiva e que leva a um caminho inflacionário.  Essa monetização perniciosa só poderia ser evitada se as instituições em que se baseiam o Euro e a própria CEE fossem perfeitas, o que evidentemente não vem acontecendo e muito provavelmente não virá a acontecer.  Em suma, a ideia de que o euro poderia colocar os governos em camisas de força, impedindo-os de gastarem mais do que arrecadam, não se concretizou na realidade e me parece difícil — para não dizer impossível — que venha a sê-lo.
2º. Governos irresponsáveis são a regra e governos responsáveis a exceção
Parece-me um tanto ingênuo crer que a instituição do euro forçaria todos os governos da CEE a agirem com a austeridade fiscal e monetária que a Escola Austríaca exige, por várias razões, das quais a principal é que se trata de governos, o que significa — além de todos os outros males que os economistas austríacos sempre combateram —, que agem politicamente.  Isso quer dizer que, enquanto existirem governos — de províncias, países ou comunidades de países — as influências políticas sempre vão prevalecer. Assim como não há como esperarmos de um gavião que ele deixe de mergulhar no ar para atacar um quero-quero, não há também como acreditar que um governo não vá gerar déficits orçamentários e tentar monetizá-los.  Se puder fazer isso à custa de "contribuintes" de outros países, melhor ainda para eles, porque suas chances de permanecer no poder não diminuirão.
Todos os economistas da Escola Austríaca sabem que o estado é um mal — para muitos, um mal necessário, desde que restrito a certos limites mínimos; para outros, mais libertários, um mal desnecessário; para Rothbard, um inimigo — e, sendo assim, a crença de que os governos seriam forçados pelo Euro (e o BCE) a ter comportamentos de freiras carmelitas descalças parece fugir da realidade.  Governos são governos, com seu próprio ethos político arbitrário e gastador e ponto final.  Onde há governo, há falta de juízo econômico.
3º. O euro não toca na questão do monopólio do dinheiro
É unânime entre os austríacos a crítica aos monopólios legais, àqueles que são instituídos pelo estado mediante leis. Muitos economistas, desde os pós-escolásticos (que foram os protoaustríacos) defendem com argumentos sólidos a tese de que o monopólio legal de emitir moeda dos governos (e, por extensão, dos bancos por eles manipulados) é tão pernicioso quanto os demais monopólios.  Por que cargas d'água com a moeda e o crédito haveria de ser diferente?
A melhor solução, então, caminha no sentido oposto ao de uma moeda única estatal ou supraestatal: a extinção dos bancos centrais e a implantação da competição na indústria da moeda e do crédito, em moldes semelhantes ao sugerido por Hayek em 1974, sob um sistema de 100% de reservas.  O euro não somente mantém o monopólio nacional; ele o amplia para nível continental!  É como se o locutor de uma partida de futebol anunciasse durante um jogo: "atenção, sai o nacionalismo monetário e entra o internacionalismo monetário".
A meu ver, com efeito, não é correto afirmar que o euro atacou o nacionalismo monetário, porque na verdade ele o ampliou para além das fronteiras dos países, com a diferença de que esse novo nacionalismo passou a ser exercido por governos que externalizaram seus efeitos perversos para os pagadores de tributos de outras nações.
4º. O euro não se mostrou uma boa proxy para o regime do padrão ouro
Outro argumento muito utilizado pelos defensores do Euro é que ele teria a desejada propriedade de funcionar como uma boa aproximação para o regime de padrão-ouro que, como sabemos, impede os governos de "politizarem" a moeda e o crédito.  Mas, será que impede mesmo?
Bem, é óbvio que se trata de um regime superior ao que vige no mundo desde que o padrão-ouro foi abandonado, mas que também padece de imperfeições.  Para não voltarmos muito no tempo, até à época de Nabucodonosor da Babilônia, vejamos o que Rothbard escreveu em seu magistral tratado de História do Pensamento Econômico, An Austrian Perspective on the History of Economic Thought, edição do Mises Institute em ePub, no capítulo dedicado ao extraordinário Juan de Mariana (1536-1624):
Voltando sua atenção à teoria e à prática monetária, Mariana, em seu breve tratado De Monetae Mutatione (Sobre a Alteração do Dinheiro, 1609), denunciou seu soberano,Filipe III de Espanha, por roubar o povo e debilitar o comércio por meio da adulteração da cunhagem de cobre.  Ele notou que esta adulteração também contribuía para a crônica inflação de preços da Espanha ao aumentar a quantidade de dinheiro no país.  Filipe III havia zerado a dívida pública ao adulterar a composição de suas moedas de cobre, desta forma triplicando a oferta de dinheiro. [pp. 719-720]
[…]
Mariana também relatou uma história sobre desvalorização e seus efeitos desastrosos, e demonstrou que um dos pressupostos básicos de um governo é manter todos os padrões de peso e mensuração — e não somente para o dinheiro —, e que seu histórico de adulteração destes padrões é dos mais vergonhosos.  A Castilha, por exemplo, alterou suas mensurações para o azeite e o vinho com o intuito de criar um imposto oculto, e isso gerou uma grande confusão seguida de uma revolta popular. [pp. 725-726]
[...]
Mariana cunhou uma frase que precedeu uma das observações favoritas que Ludwig von Mises viria a fazer sobre os economistas mais de três séculos e meio mais tarde: "Não há nenhum absurdo que não venha a ser defendido por algum teólogo". [pp. 734-735]
Com essas citações de Rothbard não pretendo "atacar" o padrão-ouro, só quero reafirmar que estados — leia-se: seus mandatários — sempre são estados, mesmo sob o regime do padrão-ouro. Por isso, o argumento de que o uuro agiria como uma second Best solution, além de não se ter verificado na prática, já perde muito de seu sentido.
5º. O euro agride frontalmente o princípio da subsidiariedade
Este argumento certamente é um dos mais poderosos.  Um dos princípios basilares da Escola Austríaca é o dasubsidiariedade, que implica descentralização, individualização, tanto no âmbito político quanto no da economia. De acordo com esse princípio, se você tem um problema qualquer com seu vizinho, o melhor a fazer, antes de qualquer outra providência, é tentar resolvê-lo conversando com ele e não recorrendo ao síndico do prédio. Se isso não resolver, recorra ao síndico e, se isso também não der certo, vá à administração de seu bairro e assim sucessivamente, até chegar ao governo federal.
Isso permite a qualquer um defender, por exemplo, com um arsenal de argumentos sólidos (que por uma questão de espaço deixo ao leitor a tarefa de descobrir), a adoção de moedas diferentes até mesmo entre bairros de uma mesma cidade, pois cada bairro tem suas características, sua história, seus botequins, escolas, cinemas, clubes, tipos de pessoas, tradições, costumes etc.  Ora, o euro é exatamente o oposto, porque é centralizador, coloca todo o poder nas mãos de um BCE, sem levar em conta que, até mesmo dentro de um mesmo país, existem diferenças marcantes de cultura, de hábitos e de costumes.  Um italiano do sul é muito diferente de um italiano do norte, embora ambos sejam italianos.  Um grego é diferente de um francês que, por sua vez, é diferente de um alemão que, por sua vez, difere de um português.
Assim, por uma questão de coerência, já que nós, austríacos, somos unânimes na defesa do princípio da subsidiariedade, não podemos aceitar o euro como uma instituição boa, o máximo que podemos admitir é aceitá-la como o menor dos males, a não ser que nosso lema passe a ser do tipo "subsidiariedade, ma non troppo"...
Nunca é demais lembrar que o maior defensor de um banco central mundial, para controlar a moeda e as taxas de juros e de câmbio em todo o planeta, foi Keynes e que a ideia de um governo mundial tem tinturas flagrantemente socialistas. Não há nada de austríaco em ideias desse tipo.
6º. O euro agride a história da moeda como uma ordem espontânea
Também este é um forte argumento contra o euro ou moedas semelhantes. Todos conhecem a história da moeda e dos sistemas monetários, de como o mundo evoluiu do sistema de economia de trocas até o estado atual da moeda eletrônica, passando pela mercadoria-moeda, pela moeda-commodity, pela moeda-papel, pelo papel-moeda e pela moeda escritural, tudo isso acontecendo como resultado da ação humana nos mercados — mas uma ação humana natural, não planejada. Ou, para usarmos a terminologia de Hayek: a moeda é uma ordem espontânea, tal como a linguagem e os próprios mercados.
Ninguém é capaz de dizer como será o sistema monetário daqui a — digamos — vinte ou trinta anos.  Quem poderia imaginar, cerca de vinte anos atrás, que poderíamos pagar nossas compras na padaria com um cartão de débito?  Ou que um brasileiro em viagem de turismo a Miami possa comprar um tênis em uma loja e pagá-lo com seu cartão de crédito?  Da mesma forma, quem pode antever com certeza o papel a ser desempenhado no sistema monetário, por exemplo, pelo bitcoin, pela deep web ou pelas impressoras 3-D, ou por qualquer outra invenção nova que vier a surgir?
Se a instituição da chamada "moeda de curso legal" já foi uma grande agressão a esse processo espontâneo, o euro não é um ataque menos relevante ao mesmo.  De uma hora para outra, de uma forma "planejada" — ou seja, absolutamente antiaustríaca —, tiraram de circulação moedas nacionais — cada uma delas valendo de acordo com a responsabilidade ou irresponsabilidade de seu governo emissor — e substituíram-na por uma moeda única, emitida por um banco central internacional, na crença ingênua de que, dali em diante, todos os governos dos países membros agiriam de maneira igualmente responsável, pelo bem de todos.  Suíça e Inglaterra, sabiamente, esquivaram-se de entrar na embarcação, desconfiadas de que poderia soçobrar.
Definitivamente, não compreendo — embora respeite suas opiniões — como economistas que defendem a liberdade individual e o livre mercado podem ser favoráveis a algo que representa, ao mesmo tempo, centralização de poder, monopólio e planejamento, como é o caso do euro.
7º. Taxas de câmbio são preços e devem ser determinadas por compradores e vendedores
Esse ponto talvez seja o mais polêmico entre os austríacos, já que muitos deles, incluindo o grande Mises, eram favoráveis a um regime de padrão-ouro com taxas de câmbio fixas.  Compreendo que o padrão ouro serviria para tornar menos aguda a disposição dos governos para devorar orçamentos e para emitir, mas sempre é bom lembrar que quem fixaria a taxa de câmbio seria esse mesmo agente devorador de recursos, isto é, o governo. Nada impediria, assim como o exemplo de Filipe III citado acima, que qualquer governo, movido por interesses políticos, mexesse na taxa de câmbio para obter dividendos políticos.
A taxa de câmbio é um preço e, portanto — e como é difícil para mim imaginar um austríaco que não pense dessa forma! —, deve ser determinada pelo processo de mercado, por compradores e vendedores.  Os argumentos de que isso prejudicaria o comércio internacional não procedem, porque têm forte apelo macroeconômico, algo profundamente anti-austríaco.
Observações finais
Reafirmo, para finalizar, que o sistema monetário que considero mais compatível com a cataláctica austríaca, com o processo de mercado, com a ação humana individual voluntária ao longo do tempo e em condições de incerteza genuína, passa pela extinção dos bancos centrais (nacionais ou internacionais), pelo fim do monopólio estatal do estado sobre a moeda, pela permissão aos bancos para emitirem cada um sua própria moeda, pela obrigatoriedade de manutenção de 100% de reservas por parte dos bancos e, de preferência, que tal sistema seja lastreado — aí sim — no ouro, sempre atendendo ao princípio da subsidiariedade e não centralizando as decisões.

Ubiratan Jorge Iorio é economista, Diretor Acadêmico do IMB e Professor Associado de Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  

A Ilusão do Monopólio Natural

Há uma disciplina na maioria dos cursos de Economia que se chama "Economia do Setor Público". Nesta, são vistos conceitos de bens públicos, externalidades, tributação e monopólios naturais. O argumento principal da existência de tais monopólios é que uma só empresa poderia ofertar o bem, devido o alto custo dos investimentos.

A condição que diferencia monopólio da competição é que o primeiro goza da posição de ser o único do mercado a produzir/ofertar um determinado bem, influenciando assim o seu preço, enquanto que em uma competição, uma  só empresa não tem o poder de influenciar o preço do bem.

Pois bem, quinta-feira dia 28/03, a Cagece (Cia de Água e Esgoto do Ceará) interrompeu o abastecimento em Fortaleza, alegando ter que fazer manutenção e que o período - feriadão de semana santa, seria mais propicio por ter menos gente na cidade, mas que ninguém se preocupasse, que já na sexta as coisas iriam se normalizar.

Ora, se você andar nas periferias da cidade  poderá perceber o quanto a camada mais pobre da população ainda carece deste serviço. Ela paga, mas nem sempre tem água em suas torneiras. Então, tem que apelar pro poço do vizinho ou para a mídia e seus programas populares, mendigando um serviço já pago.

Mas voltando ao aviso da Cagece, sexta-feira não se normalizou. Nem sábado. Pelo jornal local, soubemos que a empresa alongou o prazo até terça, isso mesmo, quatro dias depois do "combinado". E ai,  pergunto: porque mesmo apenas o Estado é apto a me ofertar tal serviço? Será mesmo que mais empresas ofertando tal serviço, o preço final serial inviável? Desde quando uma situação forçada é natural?

Muitos acreditam que os ditos monopólios naturais não podem ser disponibilizados pelo fato de que a iniciativa privada não seria capaz de ofertar o bem  de forma tão eficiente como o Estado, pois esta iria apenas se beneficiar do lucro e ofertaria um serviço pífio. O que parece haver é o desprezo à dinâmica proporcionada pela livre concorrência, solapada ainda mais pelo excesso regulamentatório que só beneficia alguns. 

Em termos gerais, o que se vê no Brasil é um governo que incentiva o comportamento lobista e concentrador de privilégios, minando assim os incentivos de um mercado realmente competitivo. Enquanto isso, milhares de pessoas ainda carecem de um serviço tão básico à condição humana e, claro, quem geralmente "paga o pato" é a parcela mais pobre da população, que fica refém da "eficiência" estatal.


domingo, 8 de setembro de 2013

BNDES aprova R$ 500 milhões para estocagem de etanol

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou nesta sexta-feira (6) o financiamento de R$ 500 milhões para a estocagem de etanol para Copersucar, que reúne 47 associadas.
Os recursos fazem parte do Programa de Apoio ao Setor Sucroalcooleiro (PASS). A operação será realizada por meio dos bancos Itaú BBA, Santander Brasil, Bradesco e Safra. Em 2010, a empresa já havia feito outra operação indireta no âmbito do PASS, no valor de R$ 190 milhões.
"O apoio do BNDES tem sido fundamental para gerar mais competitividade ao setor sucroenergético brasileiro. A operação com a Copersucar contribui para o adequado abastecimento de etanol no mercado brasileiro e reforça a liderança global da empresa no setor", afirmou o diretor-presidente da Copersucar, Paulo Roberto de Souza, em comunicado.O financiamento deve ajudar a maior comercializadora de etanol do mundo com os custos de carregamento dos estoques, evitando que as usinas vendam o produto de forma acelerada na safra e eventual escassez na entressafra, destaca a Reuters. Dessa forma, a medida permite que os preços oscilem menos entre períodos de safra e entressafra.
Na safra 2012/13, a Copersucar comercializou 7,8 milhões de toneladas de açúcar e 4,5 bilhões de litros de etanol, correspondente a 20% de toda a produção brasileira.
Após a recente aquisição da norte-americana Eco-Energy, a Copersucar passou a ser a maior empresa comercializadora de etanol do mundo.
O BNDES PASS tem uma dotação de R$ 1 bilhão. A carteira atual do programa é de R$ 790 milhões, dos quais R$ 341 milhões estão contratados, R$ 432 milhões aprovados e R$ 17 milhões em análise.
Do G1, em São Paulo

OGX exige investimento de US$ 1 bilhão de Eike

A petroleira OGX exige que o empresário Eike Batista coloque até US$ 1 bilhão da empresa, conforme havia sido acordado, segundo comunicado da empresa ao mercado, divulgado nesta sexta-feira (6).
ChChairman do grupo EBX, Eike Batista, comparece a conferência econômica em Bervelly Hills, na Califórnia. (Foto: Reuters)
Eike Batista terá de subscrever ações até
US$ 1 bilhão. (Foto: Reuters)
Eike vai subscrever - o que equivale a se comprometer com a compra - novas ações ordinárias de emissão da companhia ao preço de exercício de R$ 6,30 por papel. Nesta sexta, por volta das 12h40, as ações valiam R$ 0,50, com a alta de 21,95%.
Pelo comunicado, a empresa pede o desembolso imediato de US$ 100 milhões "e o saldo de forma modulada diante da necessidade de caixa adicional pela companhia, conforme determinação de sua administração".
A empresa disse ainda que a diretoria proporá uma reunião extraordinária do conselho de administração para convocar a assembleia geral para aprovar o imediato aumento de capital social de US$ 100 milhões.
O mercado vê dificuldade para Eike colocar à disposição da empresa a opção de US$ 1 bilhão, acordado em outubro do ano passado por meio da exigência da subscrição de ações da companhia até o limite máximo deste valor. Na prática, o direito permite que a companhia exija de Eike o aporte desse valor na empresa.

As duas agências de risco que rebaixaram a nota de risco da empresa apontaram a dificuldade da realização deste aporte entre os motivos do rebeixamento.A opção poderá ser exercida pela OGX a qualquer momento até 30 de abril de 2014, conforme necessidades de capital da OGX e ausência de alternativas mais favoráveis, condições que serão determinadas pela maioria dos membros independentes do Conselho de Administração.
Na época, Eike disse que a opção concedida era um sinal de confiança nos ativos da companhia, "bem como nas novas oportunidades que o setor de óleo e gás oferece à OGX".

Da Reuters

EUA geram 169 mil vagas em agosto e taxa de desemprego cai a 7,3%

A economia dos EUA adicionou 169 mil vagas em agosto, depois de um acréscimo de 104 mil empregos em julho, em dado revisado, divulgou nesta sexta-feira (6) o Departamento do Trabalho do país.
Alguns economistas esperavam uma geração líquida de 175 mil a 180 mil postos de trabalho.
Por sua vez, a taxa de desemprego caiu para 7,3% no mês passado, em meio a expectativa de marcar 7,4%, leitura apurada em julho. Em agosto de 2012, a taxa estava em 8,1%, diz a agência Valor Online.

Em agosto, o número de contratos de desempregados a 27 semanas ou mais ficou praticamente inalterado em 4,3 milhões e representam 37,9% dos desempregados, diz o departamento.
O levantamento vem em momento em que os integrantes do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) discutem a situação da economia para definir quando começam a retirar os estímulos implementados para impulsionar a atividade.
O Fed tem reunião sobre política monetária nos dias 17 e 18 deste mês.
Do G1, em São Paulo

Economia mundial se recupera, mas ainda não há fim da crise, diz G20

O G20 informou nesta sexta-feira (6) que a economia mundial está melhorando, mas que ainda é muito cedo para declarar o fim da crise num momento em que os mercados emergentes enfrentam crescente volatilidade.
O grupo, que reúne as principais economias do mundo, representa 90% da economia mundial e dois terços de sua população --reconheceram os problemas enfrentados por emergentes, mas disseram que cabe a eles colocar as próprias casas em ordem.
Líderes do G20, em foto oficial na cidade de São Petersburgo, na Rússia (Foto: AFP)Líderes do G20, em foto oficial na cidade de São Petersburgo, na Rússia (Foto: AFP)
A perspectiva de que o Federal Reserve poderá diminuir sua política monetária expansionista já neste mês trouxe fortes turbulências para algumas economias emergentes.
Os integrantes do G20 tiveram dificuldades para encontrar um terreno comum sobre os efeitos desencadeados pela perspectiva de os Estados Unidos reduzirem a sua impressão mensal de dinheiro.
Após a divulgação do comunicado, os mercados financeiros se fixaram no relatório mensal de empregos nos EUA, que veio mais fraco do que o esperado, o que complica a decisão do Fed sobre a possibilidade de reduzir seu estímulo monetário neste mês.Comunicado emitido no fim da cúpula de dois dias em São Petersburgo, na Rússia, trouxe comentários sobre a economia mundial praticamente em linha com os que foram divulgados após encontro de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais em julho, em Moscou, exigindo que as mudanças na política monetária devem ser "cuidadosamente calibradas e claramente comunicadas".
As exigências lideradas pela Alemanha de metas obrigatórias para ampliar os objetivos de redução de dívida definidas em cúpula sediada pelo Canadá em 2010 ficaram para trás, uma vez que o foco mudou firmemente para a promoção do crescimento.
"Estratégias fiscais de médio prazo ... serão implementadas de forma flexível para levar em conta as condições econômicas de curto prazo, de modo a apoiar o crescimento econômico e a criação de emprego, ao mesmo tempo colocando a dívida como proporção do PIB em um caminho sustentável", disse o comunicado da reunião.
FMI
Ao final do encontro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) emitiu nota tratando dos principais desafios a serem enfrentados pela economia mundial.

"Os líderes reconhecem que ainda há muito a ser feito para que a economia mundial trabalhe melhor. O crescimento global permanece fraco, e os riscos para a estabilidade e volatilidade de mercado persistem. Assim como algumas economias avançadas começaram a ganhar impulso, muitos mercados emergentes estão em desaceleração", disse a diretora do fundo, Christine Lagarde, em nota.
Da Reuters

Abilio Diniz fecha acordo com Casino e deixa o Grupo Pão de Açúcar

O empresário Abilio Diniz chegou nesta sexta-feira (6) a um acordo com o grupo francês Casino e anunciou sua renúncia à presidência do conselho de administração do Grupo Pão de Açúcar (GPA), empresa fundada por seu pai em 1948.
"Estou feliz de pôr fim a esses dois anos de luta", afirmou o empresário, em pronunciamento em São Paulo. "Renuncio à presidência e aos meus poderes lá", acrescentou.
"Na véspera do dia que simboliza a liberdade do Brasil, eu também abraço a minha liberdade para continuar perseguindo os meus sonhos", completou.
O acordo sela o fim do conflito com o Casino como também a saída de Abilio do Pão de Açúcar, que já era controlado pelo grupo francês desde junho de 2012. A partir de agora, o empresário será apenas acionista, sem direitos políticos na empresa.
Eu também abraço a minha liberdade para continuar perseguindo os meus sonhos"
O Casino cobrava a saída de Abilio da presidência do conselho do GPA desde que o empresário também passou a acumular a presidência do conselho da BRF - um dos maiores fornecedores do Pão de Açúcar. Os termos do acordo feito com o Casino em 2005 garantia que o empresário permanecesse no cargo mesmo depois da transferência do controle do grupo aos franceses.
Por várias vezes durante a entrevista, Abilio disse que os últimos anos não foram fáceis ao se referir à disputa com o Casino. "Os últimos dois anos não foram fáceis e, hoje, com alegria, encontramos uma solução suficientemente boa para todos", disse, agradecendo à família por tê-lo "aguentado" nestes dois anos "que não foram prazerosos".
Abílio lembrou ainda que ele comunica a renúncia exatamente 65 anos depois de seu pai, Valentim dos Santos Diniz, fundar o Pão de Açúcar, em 7 de setembro de 1948.

Termos do acordo
Foi decidido que Abílio trocará as ações ordinárias que tem na Wilkes, holding controladora do GPA, e receberá ações preferenciais, as negociadas em bolsa, na razão de 1 para 1. Com isso, o empresário passará a ter cerca de 9% das ações preferenciais do Grupo Pão de Açúcar – aquelas que não dão direito a voto - juntando com os cerca de 2% de ações ordinárias que ele tinha anteriormente ao negócio.

O empresário destacou que considera o investimento no Pão de Açúcar "excelente" e que não planeja novas vendas de ações preferenciais.Em fato relevante, o GPA informou que o Casino trocará 19,375 milhões de ações preferenciais do Pão de Açúcar pela mesma quantidade de ordinárias emitidas pela Wilkes detidas por Abilio.
Em comunicado conjunto, Abilio e Jean-Charles Naouri, presidente do Casino, afirmaram que decidiram "terminar suas disputas e concluir sua parceria de maneira benéfica para ambos, de forma que cada um possa livremente seguir em frente e perseguir novas oportunidades".
Pelos termos, o acordo Wilkes deixa de existir e os conselheiros Luiz Fernando Figueiredo e Modesto Carvalhosa também renunciam ao conselho de administração do Pão de Açúcar.
As duas partes também decidiram encerrar todos os litígios que têm entre si. Abilio afirmou, porém, que o acordo não foi motivado por temores em relação ao Cade impedir a atuação dele ao mesmo tempo na presidência dos conselhos do Pão de Açúcar e da BRF. O motivo de ter ocorrido neste momento, disse, foi o de terem conseguido um acordo.

O Casino conseguiu, porém, barrar a iniciatiba de Abilio. O conselho de administração do grupo francês rejeitou a oferta de fusão e o BNDES não confirmou o apoio, o que impediu o avanço do projeto de fusão. Na ocasião, o Casino argumentou que a fusão teria o objetivo de impedir que o grupo assumisse o controle do Pão de Açúcar, como previa o acordo assinado em 2005.Entenda o caso
A saída de Abilio da presidência do Conselho do Pão de Açúcar põe fim a uma conturbada relação do empresário com o Casino. As relações do brasileiro com o grupo francês se deteriorou desde que o empresário tentou uma fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour no Brasil em 2011.

As desavenças entre as duas partes se agravaram neste ano, quando o empresário foi eleito para ser a presidência do conselho da BRF, uma das maiores companhias de alimentos do Brasil e que tem o Pão de Açúcar como seu principal distribuidor de produtos no mercado interno. 
Após transferir o controle da varejista ao Casino, no ano passado, Abilio reduziu de forma significativa sua presença no capital da varejista. Em apenas três leilões de venda de ações preferenciais em seu portfólio desde o fim de 2012, ele embolsou mais de R$ 2,5 bilhões.
Íntegra do comunicado conjunto de Abilio Diniz e Jean-Charles Naouri:
"Movidos pelo sentimento de respeito mútuo, Abilio Diniz, Presidente do Conselho do Grupo Pão de Açúcar, e Jean-Charles Naouri, Presidente do Conselho do Grupo Casino, decidem terminar suas disputas e concluir sua parceria de maneira benéfica para ambos, de forma que cada um possa livremente seguir em frente e perseguir novas oportunidades.

Abilio Diniz e Jean-Charles Naouri assinaram acordo nesta sexta-feira (6) (Foto: Divulgação)
Abilio Diniz e Jean-Charles Naouri assinaram acordo
nesta sexta-feira (6) (Foto: Divulgação)
Esse é um momento importante na história de negócios no Brasil, sendo que há exatamente 65 anos - em 7 de setembro de 1948 - a família Diniz fundava o Grupo Pão de Açúcar, a maior empresa de distribuição do Brasil.
Abilio Diniz deseja muito sucesso ao Sr. Naouri e ao Grupo Casino. Ele expressa seus desejos mais sinceros para que o Grupo Pão de Açúcar continue crescendo com suas pessoas, sua cultura e seus valores, contribuindo para o desenvolvimento do país.
Jean-Charles Naouri expressa sua gratidão pelas muitas contribuições do Sr. Diniz e de sua família, e deseja muito sucesso em seus projetos futuros. Sr. Naouri espera continuar estimulando o crescimento do GPA em benefício de seus consumidores, funcionários, acionistas e da sociedade brasileira."
Íntegra de carta lida por Abilio:
"Em 7 de setembro de 1948 meu pai, Valentim dos Santos Diniz, fundou o Pão de Açúcar. Desde então dediquei a minha vida à construção deste sonho. Hoje, exatos 65 anos depois, encerro um importante ciclo dessa história de sucesso para a empresa, para a nossa família e para mim.

É com emoção que renuncio à presidência do Conselho do Grupo Pão de Açúcar. Tenho comigo sentimentos de gratidão, felicidade, realização, respeito e orgulho por essa empresa, por essa gente e por esse país.

Na véspera do dia que simboliza a liberdade do Brasil, eu também abraço a minha liberdade para continuar perseguindo os meus sonhos. Como costumo dizer, quero hoje ser melhor do que ontem e, amanhã, melhor do que hoje.

No Pão de Açúcar sempre buscamos a eficiência, o crescimento e o êxito, com muito trabalho e dedicação, e assim construímos uma empresa única, admirada no Brasil e no mundo. Perseguimos sempre a felicidade e não é à toa que o Pão de Açúcar tem como slogan “Lugar de Gente Feliz”.

Levo comigo os desafios, as conquistas, as derrotas, as vitórias e, acima de tudo, os aprendizados. É claro que num momento como esse também sinto tristeza; tristeza pela saudade que terei da empresa, das pessoas, das lojas e dos símbolos que tanto amo.
Mas assim é a vida. É preciso ter sabedoria para aceitar as mudanças. É preciso se reinventar e ir em frente. Seguirei a minha vida empresarial fazendo aquilo que sempre fiz, com coragem, correção, alegria e determinação, descobrindo e aceitando novos desafios. Peço a Deus que continue me dando saúde e iluminando o meu caminho, assim como o de vocês.

Agradeço a todos que compartilharam comigo esse sonho, a começar pelos meus pais, Valentim e Floripes, meus irmãos, minha mulher, Geyze, meus filhos Ana Maria, João Paulo, Adriana, Pedro Paulo, Rafaela e Miguel, e aos que, ao longo desses 65 anos, trabalharam e colaboraram com o Pão de Açúcar – são milhares de pessoas que dedicaram suas vidas para fazer dessa empresa realmente um lugar de gente feliz. Agradeço também a todos os consumidores e parceiros que acreditaram em mim e no Pão de Açúcar, mesmo nos momentos mais desafiadores da nossa história.

Sinto-me realizado por liderar o Grupo Pão de Açúcar por todos esses anos. Sinto que contribuí com o meu trabalho e a minha liderança e deixar esse legado me faz muito feliz.
Os últimos dois anos não foram fáceis e, hoje, com alegria, encontramos uma solução suficientemente boa para todos.

Desejo ao Grupo Casino e aos acionistas do Pão de Açúcar sucesso na condução dessa empresa, que ela continue crescendo com a sua gente, a sua cultura e os seus valores, contribuindo para o desenvolvimento do nosso país e sendo sempre um lugar de gente feliz."

Fonte: Simone Cunha
Do G1, em São Paulo