sábado, 3 de janeiro de 2015

Chegou a hora de investir em Ouro e Bitcoins?

Em conversa com alguns amigos economistas, verificamos que esse ano de 2015 promete para a economia brasileira, porque pelo fato de estarmos passando por esse arrocho econômico, que poderia ser o prenúncio para toda a crise pós-esbanjamento de crédito, ou seja o governo federal durante os últimos quatro anos ampliou a sua política de crédito para poder manter a economia aquecida, mas o mesmo governo verificou que no fim de seu mandato, as mesmas políticas já não estavam mas mostrando o mesmo desempenho, com isso houve um descontrole nas contas públicas, com o fim da meta do superávit primário, além de um rombo nas contas da sua principal estatal, a Petrobras que sofreu denuncias gravíssimas de casos de corrupção, afastando assim os investidores estrangeiros não só de investir na companhia, mas também de investir no Brasil, com isso alguns setores da economia já sentem o arrocho criado pelos deslizes do governo federal, restando poucas saídas para os investidores, onde alguma delas seria o Ouro e a nova galinha de ouro recomendada até pelo Bill Gates, que são os Bitcoins.             

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

PIB dos EUA cresceu mais em governos democratas



Sorte democrata: bom desempenho do PIB foi puxado por investimento do setor privado e consumo de bens duráveis
A economia americana cresceu bem mais durante governos democratas do que em administrações republicanas no período posterior à Segunda Guerra Mundial, em boa parte devido a uma considerável dose de sorte. Na média, os presidentes democratas tiveram em suas gestões choques do petróleo mais favoráveis, maior expansão da produtividade e expectativas do consumidor mais otimistas. Esse é o panorama traçado por um estudo dos economistas Alan Blinder e Mark Watson, da Universidade de Princeton, que examina os motivos dessa disparidade de desempenho. A diferença não parece resultar da condução da política econômica, afirmam eles.
Entre o segundo mandato de Harry Truman (1949 a 1953) e o primeiro de Barack Obama (2009 a 2013), os EUA cresceram a uma média anual de 3,33%. Nesse período, o país avançou a uma média de 4,35% ao ano nas gestões democratas e de 2,54% nas republicanas. "Sem dúvida, os democratas gostariam de atribuir a grande diferença de crescimento a melhores políticas macroeconômicas, mas os dados não apoiam essa afirmação", escrevem os autores. Ex-vice-presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Blinder foi membro do Conselho de Consultores Econômicos do democrata Bill Clinton entre 1993 e 1994.
A maior parte da disparidade no ritmo de expansão entre as administrações dos dois partidos vem do investimento das empresas e dos gastos em bens duráveis, ocorrendo sobretudo no primeiro ano de mandato, dizem os autores.
Nas estimativas dos economistas, os preços do petróleo parecem explicar entre um oitavo e um quarto da diferença do crescimento do PIB entre governos democratas e republicanos. Para eles, isso se deve em grande parte à sorte. Ninguém tende a atribuir a decisões dos EUA os choques nos anos 1970, devido a ações da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), afirmam os autores. "Mas não vamos esquecer que a Guerra do Golfo no governo de George Bush (pai) e, especialmente, o começo da Guerra do Iraque na administração de George W. Bush foram decisões de política dos EUA", ressalvam, ao comentar ações dos dois republicanos.
Ao analisar o desempenho da produtividade, a maior parte da explicação da diferença se deve a grandes choques positivos nos governos democratas de Truman e de John Kennedy-Lyndon Johnson (1961 a 1969) e um choque negativo na primeira gestão do republicano Ronald Reagan (1981-1985). Embora tenham herdado um crescimento do PIB mais fraco, os democratas também tiveram como legado uma expansão mais favorável da produtividade. Assim como a questão dos preços do petróleo, os autores consideram os choques de produtividade "principalmente como reflexo da sorte". No entanto, dizem que não se deve descartar um "componente de políticas".
http://www.valor.com.br/sites/default/files/crop/imagecache/media_library_small_horizontal/0/5/342/224/sites/default/files/gn/14/08/arte18int-101-lamu-a13.jpg
A confiança mais forte dos consumidores nos governos democratas também contribui para explicar a diferença de desempenho. Segundo Blinder e Watson, essa questão chega perto de "uma profecia autorrealizável, na qual consumidores corretamente esperam que a economia vá melhor com os democratas, e então fazem isso ocorrer, ao comprar mais bens de consumo duráveis".
O estudo analisa uma série de outros fatores, e não encontra evidências de que eles expliquem por que a economia cresce mais nos governos democratas. As reações da política fiscal, por exemplo, não diferem muito entre os partidos. O déficit público nas administração democratas ficou em média em 1,5% do PIB, menor que os 2,2% do PIB nas republicanas, mas não é algo estatisticamente significativo.
Ao examinar a política monetária, o estudo afirma que, se alguma coisa, ela seria mais favorável ao crescimento nas gestões republicanas, ainda que a economia tenha melhor desempenho sob presidentes do Fed indicados por presidentes democratas. Há uma pequena tendência de alta dos juros nos governos democratas e queda nos republicanos, sugerindo que o Fed normalmente faz aperto monetário nas gestões dos primeiros.
Blinder e Watson descartam que os gastos militares sejam os responsáveis pela diferença. Na média, essas despesas cresceram 5,9% sob os democratas, mas apenas 0,8% nos governos republicanos. "No entanto, em média, os gastos com defesa respondem por cerca de 8% do PIB no período do pós-guerra. Seria difícil para um rabo tão pequeno balançar um cachorro tão grande". A grande diferença está associada à Guerra da Coreia, que durou de 1950 a 1953. Tirando o segundo governo Truman (1949 a 1953) da conta, o aumento desses gastos fica em média em 1,2% nos governos democratas.
O estudo destaca que ainda há muito a explicar sobre essa disparidade. "Juntos, esses três fatores de 'sorte' (petróleo, produtividade e confiança dos consumidores) explicam de 46% a 62% da diferença de crescimento de 1,8 ponto percentual entre os governos democratas e republicanos. O resto permanece, por ora, um mistério de um continente ainda em grande parte inexplorado".
Por Sergio Lamucci | De Washington


Na Venezuela empobrecida, Rum substitui o Uísque


A Diageo lançou uma nova linha de rum na Venezuela para atender à demanda. Kejal Vyas/The Wall Street Journal

terça-feira, 27 de maio de 2014

Os investidores estão indo para o Chile, mais depois de apenas seis meses: "Aqueles que controlam este país não se importa com ninguém"

Em meados de 2011, o investidor israelense e empresário Arnon Kohavi desembarcou no Chile, com o objetivo de fundar um novo centro de tecnologia.Ele estava tão convencido do potencial do nosso país naquela época afirmava que "a próxima Skype, Facebook ou MercadoLibre virá do Chile."
No entanto, apenas 6 meses foram o suficiente para este empresário deve estar ciente de que seu fundo de iniciativa de um outro lugar, mais especificamente, para Cingapura.
O que aconteceu ao longo do caminho?
Em uma entrevista com TheNextWeb , Kohavi explica que enquanto o Chile é um país com potencial, o pensamento de sua sociedade e as limitadas oportunidades oferecidas aos jovens é um desincentivo sério para qualquer empreendimento.
Além disso, Israel faz uma dura crítica contra aqueles descritos como "famílias controladoras Chile" e sua falta de vontade de promover mudanças na sociedade.
Então, nós traduzimos os principais pontos de vista de Kohavi.
Por que você decidiu chegar ao Chile, em primeiro lugar?
Eu vim para o Chile para visitar alguns amigos da minha escola de negócios.Eles me apresentou a representantes do governo, em quem eu senti o desejo de criar um ecossistema de empreendedorismo local.Eles perguntaram se eu gostaria de vir e ficar por 6 meses aceites como prova.
Meu plano para estes seis meses foi a criação de um fundo de capital de risco (FCR), mas aquele que compreendeu empreendedores reais, não só com pessoas do mundo bancário ou financeiro.Eu também queria que fosse grande esse fundo pelo menos US $ 40 milhões para investir em um campo apropriado.
Então por que é que você vai depois de 6 meses?
Eu vou porque ainda vai demorar algum tempo para desenvolver o clima certo Chile.A vontade do governo e um grupo de pessoas não é suficiente para criar lugares como aqueles no Vale do Silício, Israel e Finlândia.
O problema central do Chile é a lacuna extrema geração entre jovens empresários e da geração mais velha.A sociedade chilena é menos dinâmica do que a Ásia ou nos Estados Unidos, com um punhado de famílias monopolistas controlar o país e não quer se mudar para lá.
Pior ainda, essas famílias não se preocupam com alguém ou alguma coisa (os jovens, os pobres ...) fora de seu dinheiro.Não por que importales: recursos naturais (cobre, etc) são uma desvantagem aqui, porque isso significa que os ricos não tem que trabalhar duro.Nesse sentido, o modelo asiático é melhor porque incide sobre a exportação de bens manufaturados.
Talvez os chefes dessas famílias dar dinheiro a Endeavor , mas para eles isso não é uma questão do empreendedorismo, mas uma maneira de alimentar seus egos e apenas fazê-lo porque ele está completamente abordada em espanhol.
Sei que as pessoas ficaram desapontados quando eu saí e que o governo poderia ter apoiado meu fundo, mas também queria ter um compromisso por parte da elite e não ia acontecer.Sim, eu gostaria de voltar quando o país está pronto para os negócios.
E sobre Start-Up Chile?
O diretor executivo da Start-Up Chile , Jean Boudeguer é um assunto fantástico e está indo muito bem.Start-Up Chile é excelente para chegar ao Chile a partir de seu isolamento, o que não só geográfica, mas mental é.É crucial para a comunidade de empreendedorismo local acostumado a falar Inglês e se desenvolver.Start-Up Chile trabalhando para trazer estrangeiros para o Chile que, mas não o suficiente para construir um ecossistema.
Empresários chilenos ainda são obrigados a se deslocar para o Vale do Silício para ter sucesso.O fundador da Zappedy Francisco Larrain, estava morando nos Estados Unidos, quando sua empresa foi comprada pelo Groupon.
Estou convencido de que vamos ver mais empresários chilenos mudar para outro lugar no futuro.Não é uma coisa ruim por si só, e meu próprio país, Israel, já passou por essa fase.
Como você acha que as coisas mudariam?
Nada vai mudar se não se concentrar em ciência, e isso é verdade para toda a América Latina.Na verdade, o Chile está em melhor forma do que outros países da região.Sabe quantos brasileiros receberam um prêmio Nobel?Nenhum.Compare isso com Israel e ver onde está a diferença na educação.
Embora o modelo de Israel é mais fácil de duplicar, o mesmo poderia ser feito com o Vale do Silício.Ambos são baseados na educação, que é o início de qualquer ecossistema de tecnologia.Considerando isso, lembre-se do que aconteceu este ano no Chile com os protestos estudantis maciços.
Minha preocupação não é das gerações mais jovens, que têm o verdadeiro potencial, mas a oligarquia estabelecida.O Opus Dei, por exemplo, é muito grande no Chile.Pior ainda, no país, há um medo generalizado de fracasso, ea sociedade chilena conservadora e tradicionalista não favorece o surgimento de aulas.Uma vez que este é um problema cultural, não há nenhuma solução rápida e que poderia ser tempo para mudá-la.
Atualmente, a América Latina ainda se sente como uma viagem ao passado.Muitos dos sites locais que eu tentei usar não foram atualizados e do serviço oferecido era muito ruim.
Este é um problema grave, porque o empreendedorismo não é formado em um vácuo: deve haver um país disponível, utilizando as mais recentes gadgets e serviços on-line orientada a tecnologia.
Você já ouviu falar sobre a polêmica com os capitalistas de risco no Chile?É o fundo de investimento Austral Capital foi acusado de negligência por parte da comunidade local, dos empresários?
Não sei os detalhes do caso, então não posso responder diretamente.O que posso dizer é que as maiores queixas dos empresários no Chile não são contra o governo, mas contra os capitalistas de risco.Obter financiamento no Chile é muito difícil.
Enquanto a maioria dos capitalistas de risco do Vale do Silício acreditar em uma relação ganha-ganha, os capitalistas chilenos exigem também quando da assinatura de acordos.Eles são efetivamente destruir a motivação dos empresários, o que é muito lamentável.
E para mim, é também um problema de mentalidade.O que é conhecido no Chile como os capitalistas de risco são, na verdade financiadores privados, ou seja, os banqueiros em seus ternos com especialização em finanças e muito pouco conhecimento do empreendedorismo.
Isso era muito diferente do meu estilo.Na verdade, eu era o único capitalista de risco que ia para as reuniões e os empresários de perto conhecidos.Como a maioria dos investidores do Vale do Silício, poleras usar e mais importante, dar aconselhamento gratuito.
Esta é a norma no Vale do Silício, mas ainda não no Chile.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Sete argumentos austríacos contra o euro

Em artigo recente publicado neste site, manifestei por que tenho motivos para não acreditar no euro, em contraposição à defesa do mesmo por parte do Professor Jesús Huerta de Soto.  
Nunca é demais repetir o que frisei no primeiro parágrafo de meu artigo mencionado: embora seja unanimidade entre os economistas da Escola Austríaca que o melhor sistema monetário é aquele baseado na plena liberdade de escolha das moedas, há divergências quanto ao formato do sistema monetário e cambial que cada um considera como o mais adequado para assegurar o que é consenso entre eles: a economia de mercado, o respeito às regras de subsidiariedade, as liberdades individuais, os direitos de propriedade, a crítica ao nacionalismo econômico, a austeridade fiscal e monetária dos estados e, o que é mais importante, aquilo que podemos denominar de "a despolitização do dinheiro".
Os defensores do euro argumentam, com razão, que o padrão-ouro, como Mises sempre afirmou, serve como um freio para separar a determinação do poder aquisitivo da moeda das ambições e doutrinas dos partidos políticos e dos grupos de pressão, e que o euro seria uma boa forma para a obtenção dessa separação, que é desejada por todos os economistas austríacos, sejam eles favoráveis ou não à moeda europeia única. Neste artigo aprofundarei e estenderei um pouco mais minhas objeções ao euro, com base nos argumentos marcantemente austríacos que listarei e comentarei brevemente em seguida, em ordem de importância aleatória.
1º. O euro não foi capaz de assegurar a separação entre o dinheiro e a política
No artigo mencionado, observei, como Philipp Bagus, que, infelizmente, a adoção do euro deu respaldo a que vários governos independentes pudessem usar um sistema de bancos centrais para financiar seus gastos, emitindo títulos públicos que podem ser comprados pelo sistema bancário e usando esses papéis como colaterais para garantir novos empréstimos junto ao Banco Central Europeu.  Assim, a base monetária aumenta e os preços tendem a subir, não só no país deficitário, como em toda a zona do euro. Vemos, então, que os governos encontraram no euro uma forma de transferirem os gravames sobre seus déficits para outros países da comunidade, bem como para o resto do mundo, sob a forma de senhoriagem.
Se um país financia um pequeno déficit de 1%, mas os preços de toda a zona do euro sobem 10%, é provável que caiam os gastos reais do governo, bem como seu poder político, mas a inflação de preços depende do financiamento do déficit global da Comunidade Econômica Europeia.  Isto significa que, se outros governos têm déficits mais elevados, aquele governo mais responsável e austero, que não produza déficit orçamentário ou que mantenha um déficit menor pode estar perdendo na redistribuição intereuropeia, o que significa um prêmio ao mau comportamento e um castigo ao bom.
E mais: quanto maior o déficit de um governo em relação aos déficits dos outros estados-membros, mais fácil para este governo transferir os custos de sua irresponsabilidade para os estrangeiros!  É uma dinâmica explosiva e que leva a um caminho inflacionário.  Essa monetização perniciosa só poderia ser evitada se as instituições em que se baseiam o Euro e a própria CEE fossem perfeitas, o que evidentemente não vem acontecendo e muito provavelmente não virá a acontecer.  Em suma, a ideia de que o euro poderia colocar os governos em camisas de força, impedindo-os de gastarem mais do que arrecadam, não se concretizou na realidade e me parece difícil — para não dizer impossível — que venha a sê-lo.
2º. Governos irresponsáveis são a regra e governos responsáveis a exceção
Parece-me um tanto ingênuo crer que a instituição do euro forçaria todos os governos da CEE a agirem com a austeridade fiscal e monetária que a Escola Austríaca exige, por várias razões, das quais a principal é que se trata de governos, o que significa — além de todos os outros males que os economistas austríacos sempre combateram —, que agem politicamente.  Isso quer dizer que, enquanto existirem governos — de províncias, países ou comunidades de países — as influências políticas sempre vão prevalecer. Assim como não há como esperarmos de um gavião que ele deixe de mergulhar no ar para atacar um quero-quero, não há também como acreditar que um governo não vá gerar déficits orçamentários e tentar monetizá-los.  Se puder fazer isso à custa de "contribuintes" de outros países, melhor ainda para eles, porque suas chances de permanecer no poder não diminuirão.
Todos os economistas da Escola Austríaca sabem que o estado é um mal — para muitos, um mal necessário, desde que restrito a certos limites mínimos; para outros, mais libertários, um mal desnecessário; para Rothbard, um inimigo — e, sendo assim, a crença de que os governos seriam forçados pelo Euro (e o BCE) a ter comportamentos de freiras carmelitas descalças parece fugir da realidade.  Governos são governos, com seu próprio ethos político arbitrário e gastador e ponto final.  Onde há governo, há falta de juízo econômico.
3º. O euro não toca na questão do monopólio do dinheiro
É unânime entre os austríacos a crítica aos monopólios legais, àqueles que são instituídos pelo estado mediante leis. Muitos economistas, desde os pós-escolásticos (que foram os protoaustríacos) defendem com argumentos sólidos a tese de que o monopólio legal de emitir moeda dos governos (e, por extensão, dos bancos por eles manipulados) é tão pernicioso quanto os demais monopólios.  Por que cargas d'água com a moeda e o crédito haveria de ser diferente?
A melhor solução, então, caminha no sentido oposto ao de uma moeda única estatal ou supraestatal: a extinção dos bancos centrais e a implantação da competição na indústria da moeda e do crédito, em moldes semelhantes ao sugerido por Hayek em 1974, sob um sistema de 100% de reservas.  O euro não somente mantém o monopólio nacional; ele o amplia para nível continental!  É como se o locutor de uma partida de futebol anunciasse durante um jogo: "atenção, sai o nacionalismo monetário e entra o internacionalismo monetário".
A meu ver, com efeito, não é correto afirmar que o euro atacou o nacionalismo monetário, porque na verdade ele o ampliou para além das fronteiras dos países, com a diferença de que esse novo nacionalismo passou a ser exercido por governos que externalizaram seus efeitos perversos para os pagadores de tributos de outras nações.
4º. O euro não se mostrou uma boa proxy para o regime do padrão ouro
Outro argumento muito utilizado pelos defensores do Euro é que ele teria a desejada propriedade de funcionar como uma boa aproximação para o regime de padrão-ouro que, como sabemos, impede os governos de "politizarem" a moeda e o crédito.  Mas, será que impede mesmo?
Bem, é óbvio que se trata de um regime superior ao que vige no mundo desde que o padrão-ouro foi abandonado, mas que também padece de imperfeições.  Para não voltarmos muito no tempo, até à época de Nabucodonosor da Babilônia, vejamos o que Rothbard escreveu em seu magistral tratado de História do Pensamento Econômico, An Austrian Perspective on the History of Economic Thought, edição do Mises Institute em ePub, no capítulo dedicado ao extraordinário Juan de Mariana (1536-1624):
Voltando sua atenção à teoria e à prática monetária, Mariana, em seu breve tratado De Monetae Mutatione (Sobre a Alteração do Dinheiro, 1609), denunciou seu soberano,Filipe III de Espanha, por roubar o povo e debilitar o comércio por meio da adulteração da cunhagem de cobre.  Ele notou que esta adulteração também contribuía para a crônica inflação de preços da Espanha ao aumentar a quantidade de dinheiro no país.  Filipe III havia zerado a dívida pública ao adulterar a composição de suas moedas de cobre, desta forma triplicando a oferta de dinheiro. [pp. 719-720]
[…]
Mariana também relatou uma história sobre desvalorização e seus efeitos desastrosos, e demonstrou que um dos pressupostos básicos de um governo é manter todos os padrões de peso e mensuração — e não somente para o dinheiro —, e que seu histórico de adulteração destes padrões é dos mais vergonhosos.  A Castilha, por exemplo, alterou suas mensurações para o azeite e o vinho com o intuito de criar um imposto oculto, e isso gerou uma grande confusão seguida de uma revolta popular. [pp. 725-726]
[...]
Mariana cunhou uma frase que precedeu uma das observações favoritas que Ludwig von Mises viria a fazer sobre os economistas mais de três séculos e meio mais tarde: "Não há nenhum absurdo que não venha a ser defendido por algum teólogo". [pp. 734-735]
Com essas citações de Rothbard não pretendo "atacar" o padrão-ouro, só quero reafirmar que estados — leia-se: seus mandatários — sempre são estados, mesmo sob o regime do padrão-ouro. Por isso, o argumento de que o uuro agiria como uma second Best solution, além de não se ter verificado na prática, já perde muito de seu sentido.
5º. O euro agride frontalmente o princípio da subsidiariedade
Este argumento certamente é um dos mais poderosos.  Um dos princípios basilares da Escola Austríaca é o dasubsidiariedade, que implica descentralização, individualização, tanto no âmbito político quanto no da economia. De acordo com esse princípio, se você tem um problema qualquer com seu vizinho, o melhor a fazer, antes de qualquer outra providência, é tentar resolvê-lo conversando com ele e não recorrendo ao síndico do prédio. Se isso não resolver, recorra ao síndico e, se isso também não der certo, vá à administração de seu bairro e assim sucessivamente, até chegar ao governo federal.
Isso permite a qualquer um defender, por exemplo, com um arsenal de argumentos sólidos (que por uma questão de espaço deixo ao leitor a tarefa de descobrir), a adoção de moedas diferentes até mesmo entre bairros de uma mesma cidade, pois cada bairro tem suas características, sua história, seus botequins, escolas, cinemas, clubes, tipos de pessoas, tradições, costumes etc.  Ora, o euro é exatamente o oposto, porque é centralizador, coloca todo o poder nas mãos de um BCE, sem levar em conta que, até mesmo dentro de um mesmo país, existem diferenças marcantes de cultura, de hábitos e de costumes.  Um italiano do sul é muito diferente de um italiano do norte, embora ambos sejam italianos.  Um grego é diferente de um francês que, por sua vez, é diferente de um alemão que, por sua vez, difere de um português.
Assim, por uma questão de coerência, já que nós, austríacos, somos unânimes na defesa do princípio da subsidiariedade, não podemos aceitar o euro como uma instituição boa, o máximo que podemos admitir é aceitá-la como o menor dos males, a não ser que nosso lema passe a ser do tipo "subsidiariedade, ma non troppo"...
Nunca é demais lembrar que o maior defensor de um banco central mundial, para controlar a moeda e as taxas de juros e de câmbio em todo o planeta, foi Keynes e que a ideia de um governo mundial tem tinturas flagrantemente socialistas. Não há nada de austríaco em ideias desse tipo.
6º. O euro agride a história da moeda como uma ordem espontânea
Também este é um forte argumento contra o euro ou moedas semelhantes. Todos conhecem a história da moeda e dos sistemas monetários, de como o mundo evoluiu do sistema de economia de trocas até o estado atual da moeda eletrônica, passando pela mercadoria-moeda, pela moeda-commodity, pela moeda-papel, pelo papel-moeda e pela moeda escritural, tudo isso acontecendo como resultado da ação humana nos mercados — mas uma ação humana natural, não planejada. Ou, para usarmos a terminologia de Hayek: a moeda é uma ordem espontânea, tal como a linguagem e os próprios mercados.
Ninguém é capaz de dizer como será o sistema monetário daqui a — digamos — vinte ou trinta anos.  Quem poderia imaginar, cerca de vinte anos atrás, que poderíamos pagar nossas compras na padaria com um cartão de débito?  Ou que um brasileiro em viagem de turismo a Miami possa comprar um tênis em uma loja e pagá-lo com seu cartão de crédito?  Da mesma forma, quem pode antever com certeza o papel a ser desempenhado no sistema monetário, por exemplo, pelo bitcoin, pela deep web ou pelas impressoras 3-D, ou por qualquer outra invenção nova que vier a surgir?
Se a instituição da chamada "moeda de curso legal" já foi uma grande agressão a esse processo espontâneo, o euro não é um ataque menos relevante ao mesmo.  De uma hora para outra, de uma forma "planejada" — ou seja, absolutamente antiaustríaca —, tiraram de circulação moedas nacionais — cada uma delas valendo de acordo com a responsabilidade ou irresponsabilidade de seu governo emissor — e substituíram-na por uma moeda única, emitida por um banco central internacional, na crença ingênua de que, dali em diante, todos os governos dos países membros agiriam de maneira igualmente responsável, pelo bem de todos.  Suíça e Inglaterra, sabiamente, esquivaram-se de entrar na embarcação, desconfiadas de que poderia soçobrar.
Definitivamente, não compreendo — embora respeite suas opiniões — como economistas que defendem a liberdade individual e o livre mercado podem ser favoráveis a algo que representa, ao mesmo tempo, centralização de poder, monopólio e planejamento, como é o caso do euro.
7º. Taxas de câmbio são preços e devem ser determinadas por compradores e vendedores
Esse ponto talvez seja o mais polêmico entre os austríacos, já que muitos deles, incluindo o grande Mises, eram favoráveis a um regime de padrão-ouro com taxas de câmbio fixas.  Compreendo que o padrão ouro serviria para tornar menos aguda a disposição dos governos para devorar orçamentos e para emitir, mas sempre é bom lembrar que quem fixaria a taxa de câmbio seria esse mesmo agente devorador de recursos, isto é, o governo. Nada impediria, assim como o exemplo de Filipe III citado acima, que qualquer governo, movido por interesses políticos, mexesse na taxa de câmbio para obter dividendos políticos.
A taxa de câmbio é um preço e, portanto — e como é difícil para mim imaginar um austríaco que não pense dessa forma! —, deve ser determinada pelo processo de mercado, por compradores e vendedores.  Os argumentos de que isso prejudicaria o comércio internacional não procedem, porque têm forte apelo macroeconômico, algo profundamente anti-austríaco.
Observações finais
Reafirmo, para finalizar, que o sistema monetário que considero mais compatível com a cataláctica austríaca, com o processo de mercado, com a ação humana individual voluntária ao longo do tempo e em condições de incerteza genuína, passa pela extinção dos bancos centrais (nacionais ou internacionais), pelo fim do monopólio estatal do estado sobre a moeda, pela permissão aos bancos para emitirem cada um sua própria moeda, pela obrigatoriedade de manutenção de 100% de reservas por parte dos bancos e, de preferência, que tal sistema seja lastreado — aí sim — no ouro, sempre atendendo ao princípio da subsidiariedade e não centralizando as decisões.

Ubiratan Jorge Iorio é economista, Diretor Acadêmico do IMB e Professor Associado de Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  

A Ilusão do Monopólio Natural

Há uma disciplina na maioria dos cursos de Economia que se chama "Economia do Setor Público". Nesta, são vistos conceitos de bens públicos, externalidades, tributação e monopólios naturais. O argumento principal da existência de tais monopólios é que uma só empresa poderia ofertar o bem, devido o alto custo dos investimentos.

A condição que diferencia monopólio da competição é que o primeiro goza da posição de ser o único do mercado a produzir/ofertar um determinado bem, influenciando assim o seu preço, enquanto que em uma competição, uma  só empresa não tem o poder de influenciar o preço do bem.

Pois bem, quinta-feira dia 28/03, a Cagece (Cia de Água e Esgoto do Ceará) interrompeu o abastecimento em Fortaleza, alegando ter que fazer manutenção e que o período - feriadão de semana santa, seria mais propicio por ter menos gente na cidade, mas que ninguém se preocupasse, que já na sexta as coisas iriam se normalizar.

Ora, se você andar nas periferias da cidade  poderá perceber o quanto a camada mais pobre da população ainda carece deste serviço. Ela paga, mas nem sempre tem água em suas torneiras. Então, tem que apelar pro poço do vizinho ou para a mídia e seus programas populares, mendigando um serviço já pago.

Mas voltando ao aviso da Cagece, sexta-feira não se normalizou. Nem sábado. Pelo jornal local, soubemos que a empresa alongou o prazo até terça, isso mesmo, quatro dias depois do "combinado". E ai,  pergunto: porque mesmo apenas o Estado é apto a me ofertar tal serviço? Será mesmo que mais empresas ofertando tal serviço, o preço final serial inviável? Desde quando uma situação forçada é natural?

Muitos acreditam que os ditos monopólios naturais não podem ser disponibilizados pelo fato de que a iniciativa privada não seria capaz de ofertar o bem  de forma tão eficiente como o Estado, pois esta iria apenas se beneficiar do lucro e ofertaria um serviço pífio. O que parece haver é o desprezo à dinâmica proporcionada pela livre concorrência, solapada ainda mais pelo excesso regulamentatório que só beneficia alguns. 

Em termos gerais, o que se vê no Brasil é um governo que incentiva o comportamento lobista e concentrador de privilégios, minando assim os incentivos de um mercado realmente competitivo. Enquanto isso, milhares de pessoas ainda carecem de um serviço tão básico à condição humana e, claro, quem geralmente "paga o pato" é a parcela mais pobre da população, que fica refém da "eficiência" estatal.


domingo, 8 de setembro de 2013

BNDES aprova R$ 500 milhões para estocagem de etanol

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou nesta sexta-feira (6) o financiamento de R$ 500 milhões para a estocagem de etanol para Copersucar, que reúne 47 associadas.
Os recursos fazem parte do Programa de Apoio ao Setor Sucroalcooleiro (PASS). A operação será realizada por meio dos bancos Itaú BBA, Santander Brasil, Bradesco e Safra. Em 2010, a empresa já havia feito outra operação indireta no âmbito do PASS, no valor de R$ 190 milhões.
"O apoio do BNDES tem sido fundamental para gerar mais competitividade ao setor sucroenergético brasileiro. A operação com a Copersucar contribui para o adequado abastecimento de etanol no mercado brasileiro e reforça a liderança global da empresa no setor", afirmou o diretor-presidente da Copersucar, Paulo Roberto de Souza, em comunicado.O financiamento deve ajudar a maior comercializadora de etanol do mundo com os custos de carregamento dos estoques, evitando que as usinas vendam o produto de forma acelerada na safra e eventual escassez na entressafra, destaca a Reuters. Dessa forma, a medida permite que os preços oscilem menos entre períodos de safra e entressafra.
Na safra 2012/13, a Copersucar comercializou 7,8 milhões de toneladas de açúcar e 4,5 bilhões de litros de etanol, correspondente a 20% de toda a produção brasileira.
Após a recente aquisição da norte-americana Eco-Energy, a Copersucar passou a ser a maior empresa comercializadora de etanol do mundo.
O BNDES PASS tem uma dotação de R$ 1 bilhão. A carteira atual do programa é de R$ 790 milhões, dos quais R$ 341 milhões estão contratados, R$ 432 milhões aprovados e R$ 17 milhões em análise.
Do G1, em São Paulo