quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Bovespa fecha dia em alta, mas cai 18,1% em 2011

Principal índice da bolsa, subiu 0,39% no dia e fechou aos 56.754 pontos.
Desempenho da bolsa no ano foi o 3º pior desde o Plano Real, diz estudo.

Reuters

bovespa (Foto: Editoria de Arte/G1)
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou o último dia de negócios de 2011 com leve valorização nesta quinta-feira (29).
O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, subiu 0,39%, aos 56.754 pontos. O volume de dinheiro negociado no dia foi de R$ 5,2 bilhões, segundo dados preliminares.
Em 2011, porém, a bolsa paulista acumulou queda de 18,1%, o que, segundo levantamento da consultoria Economatica, é o terceiro pior desempenho desde o início do Plano Real.
O pior desempenho do índice brasileiro desde o início do Plano Real foi registrado em 2008, quando a queda foi de 41,22%. Dez anos antes, em 1998, o Ibovespa teve o segundo pior resultado, recuando 33,46% ao longo do ano.
O ano foi difícil para o mercado de ações: outra pesquisa divulgada pela Economatica na quarta-feira (28) aponta que as empresas brasileiras de capital aberto perderam em valor de mercado de R$ 213,6 bilhões em 2011, até o dia 27 de dezembro.
E para profissionais do mercado, há poucas chances de uma recuperação mais significativa do mercado acionário, pelo menos enquanto o medo de quebradeira generalizada na zona do euro não for dissipado.
"A liquidez ainda está empoçada; só deve melhorar depois do primeiro trimestre (de 2012)", disse o responsável pelo banco de investimentos Bradesco BBI, Sérgio Clemente.
Segundo Walter Mendes, sócio da Cultinvest, entre os fatores que podem contribuir para a recuperação no próximo ano está o fato de a bolsa brasileira estar bastante "descontada" em relação aos mercados internacionais.
Como de forma geral as empresas do país seguiram crescendo nos últimos anos, marcadas por instabilidade internacional, os múltiplos da bolsa brasileira estão bem menores do que os de outros mercados, mesmo emergentes. Em termos nominais, o Ibovespa está no mesmo patamar alcançado em meados de 2007. Na máxima histórica, o índice superou 73 mil pontos, no começo do ano seguinte.
"Nós estamos no meio de um ciclo de corte de juros, a economia americana está lentamente se recuperando e tenho a expectativa de que não haja ruptura na Europa nem desaceleração muito forte na Ásia", afirmou Mendes, referindo-se à taxa Selic brasileira, que fechou este ano a 11%, depois de alcançar 12,50% em julho.
Pior investimento de 2011
Ainda de acordo com o levantamento da Economatica, a bolsa paulista foi a pior do ano entre seis opções de investimento: foi o único ativo a desvalorizar.

 A melhor aplicação do ano foi o ouro, com 16,46% de alta, seguido pelo Dólar Ptax Venda, com 11,84% de valorização.
A poupança teve alta de 7,5% em 2011, segundo o levantamento da consultoria.

Esta rentabilidade, de acordo com a Economatica, já considera o fechamento anual até o dia 31 de dezembro.

Bovespa ao longo de 2011
Em 2011, o melhor desempenho do Ibovespa, principal indicador do mercado acionário do país, foi registrado logo no início do ano, ao fechar aos 71.632 pontos no dia 12 de janeiro – a maior cotação desde novembro de 2010.
De lá para cá, no entanto, a trajetória foi praticamente só descendente ao longo do ano, com uma ou outra variação mensal positiva (veja gráfico ao lado).
No dia 8 de agosto, o Ibovespa atingiu o menor patamar do ano – e o mais baixo desde abril de 2009 – e fechou aos 48.668 pontos.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Balanço de abertura Economica

A terça-feira foi marcada pela divulgação de dados da economia americana. O índice de confiança
do consumidor nos Estados Unidos voltou a subir em dezembro, o que marca o segundo
mês consecutivo de avanço, e animou os mercados. O Ibovespa fechou em alta de
0,57%, aos 58.005 pontos, com giro financeiro de R$ 3,265 bilhões.
A maior parte dos mercados asiáticos fechou hoje em queda, com as Bolsas da Austrália e
de Hong Kong recuando à medida que os investidores retornaram após um fim de semana
prolongado de feriado, embora o principal índice acionário chinês tenha se recuperado das
mínimas em 33 meses com uma negociação agitada. A Bolsa de Tóquio fechou em baixa, o
Nikkei cedeu 16,94 pontos (0,2%), a 8.423,62 pontos, após recuo de 0,5% no dia anterior.
Na China, a bolsa fechou marginalmente em alta, ajudada pela caça por pechinchas que levou
o principal índice local a se recuperar de seu menor nível em quase três anos. O índice
Shanghai Composto subiu 0,2%, para 2.170,01 pontos. Já o índice Shenzhen Composto recuou
0,5%, para 849,76 pontos.
Hoje os investidores estarão atentos ao leilão de títulos italianos. Os yields dos títulos da
Itália voltaram a atingir níveis superiores ao crítico, de 7%, numa semana em que Roma
leiloará até € 20 bilhões em títulos. As emissões de bônus de hoje e de amanhã são o primeiro
grande teste a que o mercado será submetido após o lançamento dos empréstimos de
três anos, destinados aos bancos, pelo Banco Central Europeu (BCE), pouco antes do Natal.
Hoje a Itália estará leiloando 9 bilhões em letras de seis meses e até € 2,5 bilhões em bônus
de dois anos sem cupom de juros. Amanhã serão postos à venda de € 5 bilhões a € 8 bilhões
em bônus de três anos, sete anos e dez anos. No entanto, o novo governo, liderado por Mario
Monti, ainda não conseguiu estancar a alta dos custos de tomada de empréstimos, num
momento em que os investidores se preocupam com os € 350 bilhões que Roma precisa captar
em 2012.
Destaques/
A terça-feira foi marcada pela divulgação de dados da economia americana. O índice de confiança
do consumidor nos Estados Unidos voltou a subir em dezembro, o que marca o segundo
mês consecutivo de avanço, e animou os mercados. O Ibovespa acompanhou o ritmo de
valorização visto nos mercados externos e terminou em alta ontem de 0,57%, aos 58.005
pontos, com giro financeiro de R$ 3,265 bilhões.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Brasileiro com poucas compras será dispensado de declarar bagagem

Liberação será concedida a partir de janeiro para quem voltar do exterior de avião ou navio com menos de US$ 500 em compras

A Receita Federal decidiu dispensar a declaração de bagagem dos turistas brasileiros que fizerem compras no exterior dentro da cota estabelecida de US$ 500 e voltarem ao país de avião ou navio.

As medidas também valem para quem chega por rio ou por terra, porém o limite é US$ 300. A Instrução Normativa com as mudanças foi publicada hoje no Diário Oficial da União e valerá a partir de janeiro.

Segundo o Secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto, o objetivo é facilitar o trânsito de turistas e desafogar o atendimento nos aeroportos na chegada dos passageiros brasileiros do exterior.

“Facilitará bastante. Imaginamos que em torno de 85% e 90% dos passageiros nessa situação ficarão dispensados do preenchimento e da entrega da declaração de bagagem acompanhada”, diz
Barreto lembrou que a medida não dispensa que um ou outro passageiro venha a ser escolhido para a verificação da bagagem. Os passageiros com compras acima da cota continuarão obrigados a preencher a declaração de bagagem.
Sobre o que exceder os valores de US$ 500 e US$ 300 é cobrada uma alíquota de 50%. Livros, periódicos, uma máquina fotográfica, um relógio e um telefone celular, desde que usados, estão isentos do pagamento da alíquota. O mesmo ocorre com roupas e perfumes desde que também tenham sido usados. Computadores pessoais e máquinas filmadoras novos não estão isentos para o turista mesmo que sejam de uso pessoal.
As regras para permitir que os turistas tragam do exterior bens de uso pessoal sem pagar imposto foram anunciadas em agosto do ano passado com por meio da Portaria 440, da Receita Federal.

Medidas vão desafogar aeroportos

A Receita calcula que as novas regras ajudarão a desafogar o fluxo de passageiros nos aeroportos, já que 90% dos viajantes trazem bens dentro da cota de US 500,00 e estarão desobrigados a entregar a Declaração de Bagagem Acompanhada (DBA).
O secretário Barreto anunciou também que a partir de janeiro de 2013 os passageiros obrigados a preencher a DBA poderão fazê-lo pelos aparelhos móveis e enviar à Receita on line. Ele disse que as medidas tomadas desde o ano passado estão ajudando muito a descomplicar a vida dos contribuintes nos aeroportos. "Em junho, quem tiver imposto a pagar na chegada ao Brasil poderá recolher o tributo por cartão de débito, e posterior a mercadorias.

Resumo díario da Economia

Hoje foi dia dos mercados devolverem parte de seus lucros de ontem. O grande evento foi a
oferta de liquidez de longo prazo do Banco Central Europeu (BCE). A reação inicial dos mercados
foi positiva, mas o entusiasmo deu lugar a preocupações e as bolsas amargaram quedas.
O Ibovespa fechou com desvalorização de 0,37% aos 56.653 pontos.
Cedo, o Banco do Japão manteve a política monetária inalterada, mas apresentou uma avaliação
mais fraca sobre a economia em relação ao mês passado, com crescentes evidências de
que os problemas da crise de dívida na Europa estão afetando o crescimento global e a expectativa
de recuperação do Japão.
Já na Europa, o BCE alocou um total de € 518,9 bilhões em operações de refinanciamento de
três anos e de 98 dias, das quais participaram mais de 520 bancos. O volume distribuído nos
empréstimos de longo prazo foi o maior da história para uma operação desse tipo e com
esse vencimento, superando o recorde anterior, de junho de 2009, quando foi realizado um
leilão de um ano.
Nos EUA, as vendas de casas usadas avançaram 4% em novembro, ante o mês anterior,
segundo dados divulgados pela Associação de Corretoras de Imóveis. O indicador Existing
Home Sales mostrou que as vendas de imóveis usados superam as expectativas do mercado.
No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) - considerado
uma prévia da inflação oficial - subiu 0,56% em dezembro, ante alta de 0,46% em novembro,
informou o IBGE. O indicador fechou 2011 acumulando alta de 6,56%, acima, portanto,
do teto da meta do governo, de 6,5% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo
(IPCA).
Ainda em terras brasileiras, as empresas industriais brasileiras preveem um 2012 mais difícil,
com menos investimentos e contratações e redução no faturamento, devido às incertezas
na economia mundial e ao fraco desempenho da atividade já neste ano, segundo a Fundação
Getulio Vargas.

o que se espera é que o esforço de alguns países, para sanar a crise, possa vim o mas rápido possível.

Um continente à deriva



Occupy London. A indignação com o governo dos bancos, pelos bancos e para os bancos é a mesma dois dois lados do canal. Foto: Matt Dunham/AP


Não foi um choque entre interesses nacionais, muito menos entre democracia e autoritarismo, mas entre sistemas financeiros moldados por diferentes tradições jurídicas, políticas e intelectuais. Para a Europa continental, formada no direito romano e no racionalismo de Descartes e Kant, os sistemas de leis e normas vêm em primeiro lugar e devem condicionar a ação e a interpretação da experiência. Os anglo-saxões, pelo contrário, apoiam-se no direito consuetudinário, firmado em precedentes e acordos pontuais e no empirismo de Thomas Hobbes e John Locke.
Para os primeiros – principalmente os alemães –, verdades e normas devem ser absolutas e categóricas. Para os segundos, são regras provisórias forjadas à base de experiência e erro, que admitem exceções e devem ser revisadas e renegociadas segundo as contingências práticas. Quando David Cameron, em nome dos interesses da City, centro financeiro de Londres, exigiu que o Reino Unido fosse isentado das medidas draconianas propostas por Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, julgava estar propondo um compromisso razoável. Mas “ninguém entendeu o que Cameron queria”, disse um diplomata centro-europeu ao Financial -Times, “falávamos de grandes temas, de salvar o euro, e ele vinha questionar migalhas. Não era a hora nem o lugar”.
Até agora, a Zona do Euro exigia que os países limitassem o déficit a 3%, exigência que nenhum país cumpria integralmente, muito menos em tempos de crise. O acordo Merkozy exige que, usem ou não o euro, os países membros praticamente zerem seu “déficit estrutural” (de longo prazo), limitado a 0,5%, e os pune caso ultrapassem 3%, mesmo temporariamente. Também prevê ampliar o fundo de resgate europeu para 500 bilhões de euros até meados de 2012 e reforçar o capital do FMI em 200 bilhões para viabilizar o socorro conjunto a países em dificuldades. E centraliza em Bruxelas a regulamentação e fiscalização dos mercados financeiros, incluindo serviços dominados pela City, tais como mercados de balcão e câmaras de compensação. Veta regras nacionais sobre exigências de capital, cria imposto sobre transações financeiras (similar à CPMF) e proíbe ou limita severamente as vendas a descoberto e as transações automatizadas instantâneas.
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Tudo isso protege os bancos europeus continentais – fragilizados e semiparalisados pela crise das dívidas, mas acostumados com um ambiente mais regulamentado e transparente – e desfere um severo golpe no capitalismo ultracompetitivo e desregulamentado ao estilo anglo-saxão, responsabilizado pela crise. Os bancos britânicos, como os estadunidenses, cresceram graças a uma desregulamentação que (com a ajuda dos paraísos fiscais em colônias britânicas como as Ilhas Cayman, Virgens, Bermudas etc.) permitiu negócios tão ágeis e inovadores quanto arriscados e obscuros – e no frigir dos ovos só evitaram a falência porque os governos, de cuja fiscalização era tida como desnecessária, assumiram e socializaram seus prejuízos.
Submetida à mesma regulamentação dos bancos continentais, a City perde as vantagens comparativas que lhe permitiram dominar 20% do mercado mundial de fundos de hedge e investimento e 40% ou mais das operações de câmbio e derivativos sobre juros. E o Reino Unido arrisca-se a perder seu setor mais competitivo e sua principal fonte de divisas, uma vez que as reformas neoliberais desmantelaram sua indústria desde os anos 1980.
Quando Cameron cumpriu a ameaça e vetou a inclusão das novas regras no Tratado de Lisboa, que rege a União Europeia, Sarkozy e Merkel lhe viraram as costas e propuseram o acordo como tratado entre governos europeus. Dos 27 integrantes da UE, 23 o aceitaram imediatamente e outros três – Hungria, Suécia e República Tcheca – concordaram em princípio, embora devam o submeter a seus parlamentos. O novo tratado parece ter ficado à margem das estruturas formais da União Europeia – não está claro se a Comissão e a Corte Europeia poderão ser usadas para fazer cumpri-lo –, mas o Reino Unido estará à margem do sistema europeu.
Promovida por "Merkozy", a intervenção tecnocrática em prol das elites exaspera a esquerda sinical e a direita populista da Itália. Foto: Eric feferberg/AFP
Alguns jornais britânicos fizeram comparações implícitas ou explícitas com a situação de 1940, quando a vitória nazista na França isolou Londres: “Enquanto a poeira assenta, emerge uma fria nova Europa com a Alemanha no comando”, mancheteou The Guardian, enquanto The Sun publicava uma foto de Cameron vestido como Winston Churchill. The Independent saiu com “A União Europeia deixa o Reino Unido”, imitando o legendário jornal vitoriano que noticiou que “O continente está isolado” quando espessa neblina bloqueou o Canal da Mancha. A Reuters buscou analogias em um passado ainda mais remoto: “Sarkozy realiza o sonho de Napoleão: uma Europa de nações com a França na cabine do piloto e o Reino Unido deixado de lado”.
De volta de Bruxelas, Cameron foi recebido pelos jornais e deputados conservadores – muitos deles favoráveis ao rompimento total com a União Europeia – como se fosse um herói da retirada de Dunkerque, enquanto acusavam Sarkozy de ter “capitulado ante Berlim”. Mas a recepção de trabalhistas e liberal-democratas, tradicionalmente pró-europeus, foi bem mais fria. O próprio vice-premier Nick Clegg, liberal-democrata, criticou a decisão, embora continue a apoiar o governo. As mídias liberais, como The Financial Times, The Economist e a BBC, lamentaram o fracasso de Cameron.
Verdade é que o primeiro-ministro britânico sofreu contundente derrota diplomática ao superestimar suas cartadas ante o determinado desespero de Merkel e Sarkozy por impor a ordem unida na Zona do Euro, mas tinha poucas opções e talvez não tenha escolhido a pior de seu ponto de vista.

Mesmo sem ter voz no acordo, o Reino Unido provavelmente terá de contribuir com sua parte no reforço do capital do FMI se quiser continuar na União Europeia. E se o euro sobreviver, a City será praticamente excluída do mercado financeiro continental, mas ainda terá acesso a outros mercados globais que poderia perder (sem ter a garantia de manter sua atual fatia do mercado europeu) caso se submetesse. E se o euro implodir – a probabilidade hoje é de 40%, segundo The Economist – o Reino Unido não estará pior que os demais. Ao mesmo tempo, Cameron satisfaz o euroceticismo crescente do Partido Conservador e do eleitorado britânico e ganha prestígio interno, ao menos no curto prazo.
Outra verdade é que não houve nenhum confronto entre “liberdade” britânica e “autoritarismo” continental, apenas entre duas maneiras de tentar proteger interesses financeiros não coincidentes. Dos dois lados do Canal da Mancha, hoje “os banqueiros são os ditadores do Ocidente”,como escreveu Robert Fisk: os Goldman Sachs e RBS equivalem aos Hosni Mubarak e Ben Ali. O Reino Unido é governado “pelos bancos e para os bancos”, escreveu Aditya Chakrabortty, principal articulista econômico de The Guardian: o “interesse nacional britânico” invocado por Cameron em Bruxelas é apenas o interesse do setor financeiro, no qual o governo britânico despejou 1,19 trilhão de libras desde a crise de 2008. Isso fez explodir a dívida e o déficit públicos, mas por outro lado a City passou a responder por metade dos fundos do Partido Conservador.
Do outro lado do canal, o grau em que os mecanismos democráticos e as próprias instituições europeias estão sendo postos de lado para salvaguardar o euro, ou mais exatamente os credores em euros, também causa alarme. Queixas contra a Alemanha e a suposta ascensão do “IV Reich” pipocam nas mídias da Itália, Espanha, Portugal e Grécia – e não se trata só de políticos populistas, mas também de pensadores sérios.
Para o historiador e eurodeputado português Rui Tavares (independente de esquerda), na madrugada de 9 de dezembro “Merkel e Sarkozy deram um golpe de morte à União Europeia”. A seu ver, a concretização de um sistema de limites à dívida e sanções automáticas é uma construção intergovernamental que tornou obsoleto o Parlamento Europeu e a União Europeia. As decisões “serão tomadas no eixo Berlim-Frankfurt, com gesticulação de Paris e um verniz de Bruxelas”, mas serão inúteis.
“Poderiam até tatuar os limites (de dívida) na testa e aplicar as sanções sob a forma de choques elétricos. O que é insustentável não se sustentará. Se o pânico nos mercados não derrubar os governos periféricos já nas próximas semanas ou meses, a depressão chegará para impossibilitar o exercício nos próximos anos. Após cada fracasso, chegarão mais imposições do centro. Alguém julga que isto será politicamente sustentável sequer a médio prazo? O nacionalismo agressivo tomará conta de partes significativas do eleitorado.”
Acordo Merkozy isola o Reino Unido e leva pensadores a recear uma "pós-democracia". Foto: Filippo Monteforte/AFP
Posicionamento ainda mais sintomático e muito mais surpreendente vem da própria Alemanha, da pena do maior paladino vivo do Iluminismo europeu: Jürgen Habermas, filósofo da razão comunicativa e do diálogo democrático. Para ele, o acordo Merkel-Sarkozy lançou a Europa numa era pós-democrática: “Querem estender o federalismo do Tratado de Lisboa em uma gestão intergovernamental pelo Conselho Europeu. Tal regime possibilitará transferir os imperativos dos mercados aos orçamentos nacionais sem legitimação adequada, usando ameaças e pressões para obrigar parlamentos esvaziados de poder a pôr em vigor acordos informais e sem transparência. Os chefes de governo transformarão o projeto europeu no seu oposto. A primeira democracia transnacional se tornará em um arranjo para exercer uma espécie de governo pós–democrático, parti-cularmente eficaz por ser disfarçado”.
Em entrevista ao jornalista Georg Diez, de Der Spiegel, Habermas foi ainda mais contundente: “Um pouco depois de 2008, entendi que o processo de expansão, integração e democratização não progride automaticamente por necessidade interna, é reversível. Pela primeira vez na história da União Europeia, experimentamos de fato um desmantelamento da democracia. Eu não pensava que isso fosse possível. Se o projeto europeu falhar, quanto tempo levará para voltar ao status quo? Lembre-se da Revolução Alemã de 1848 (a ‘Primavera dos Povos’): quando fracassou, precisamos de cem anos para recuperar o mesmo grau de democracia de antes”.
Do outro lado do Atlântico, também o economista Paul Krugman vê EUA e Europa em depressão que, mesmo se ainda não é tão grave quanto a dos anos 1930, já ameaça a democracia. Populismos de direita como o dos “Verdadeiros Finlandeses” e do Partido da Liberdade austríaco disputam o poder com partidos tradicionais e, na Hungria, o partido direitista Fidesz, já no poder com ampla maioria parlamentar, está emendando a Constituição para controlar a mídia e o Judiciário, colocar o principal partido de esquerda (ex-comunista) na ilegalidade e se apoderar irreversivelmente do poder.
Na Itália, esse populismo de direita é representado pela Liga Norte, que se recusou a apoiar o governo “tecnocrático” de Mario Monti e agora defende que o Norte da Itália se separe tanto do resto do país quanto da Zona do Euro, recriando a lira.  E o primeiro-ministro mostra pouca habilidade ao tentar impor aos italianos uma improvável “revolução no modo de pensar”, que equivale a transformá-los em alemães da noite para o dia. Nem a extrema-esquerda -conseguiria ser tão utópica.
Para conter a rebelião e as paralisações das centrais sindicais, Monti amenizou o pacote previdenciário, mas criou imposto sobre contas bancárias e proibiu pagamentos em dinheiro de mais de mil euros, contrariando os hábitos enraizados que levaram a Itália a exigir do BCE, na virada do milênio, a criação da nota de 500 euros, cuja razão de existir é facilitar a circulação da poderosa economia paralela. Não encontraria outra maneira de enfurecer tantos italianos ao mesmo tempo.
E nem por isso o problema financeiro parece estar sequer a caminho de uma solução. Em 14 de dezembro, a Itália teve de pagar juro de 6,47% para rolar 3 bilhões de euros de dívida com bônus de cinco anos e o euro caiu abaixo de 1,30 dólar. Sarkozy tenta minimizar como“superável” a já inevitável perda da classificação AAA da dívida da França. Os sacrifícios do bem-estar social, dos empregos e da democracia europeia não bastam para aplacar a fúria dos deuses do mercado.

muito bom!

Entre o declínio e o desenvolvimento

Felipe Amin Filomeno*

Em entrevista recente a um órgão da imprensa brasileira, Ron Kirk, alto oficial do governo dos EUA para o comércio internacional, reafirmou o interesse de seu país em uma área de livre comércio nas Américas.
No âmbito regional, o senado paraguaio – sob controle conservador do Partido Colorado – mantém bloqueada há vários anos a entrada da Venezuela como membro integral no Mercosul.
Estas duas questões contemporâneas, relativas ao comércio internacional, são emblemáticas da conjuntura histórica em que a América Latina se encontra atualmente, marcada pelo declínio da hegemonia norte-americana e pela ascensão do Sul Global.
Um tratado de livre comércio com os EUA seria o vínculo com o declínio. A incorporação da Venezuela ao Mercosul significaria um avanço.. Foto: Juan Barreto/AFP
Dessa perspectiva, um tratado de livre comércio com os EUA representaria vincular-nos ao declínio do gigante do norte, enquanto a incorporação da Venezuela ao Mercosul significaria fortalecer o avanço dos países emergentes.
Há várias razões para questionarmos os benefícios para a América Latina de se ressuscitar um projeto como a Alca, politicamente morto desde a Cúpula das Américas em 2005.
Em primeiro lugar, os EUA, ainda que sejam a maior economia do mundo, sofrem de sérios desequilíbrios macroeconômicos e estão patinando na tentativa de sair da recessão com um governo engessado pelo domínio das altas finanças.
Seu mercado consumidor é atraente, mas não há evidências claras de que os países latino-americanos já envolvidos em acordos bilaterais com os EUA tenham tido nos últimos anos taxas de crescimento econômico superiores às daqueles que não fazem parte de tais acordos.
Em segundo lugar, geopoliticamente, os EUA são uma nação envolvida em conflitos por todo o mundo e cuja legitimidade internacional tem se desgastado desde, pelo menos, a invasão do Iraque.
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Finalmente, em relação ao Brasil, há controvérsias específicas em torno protecionismo americano ao etanol, ao algodão, além do “protecionismo cambial” dos EUA, tão criticado pelo ministro Guido Mantega.
Por outro lado, as razões para senadores paraguaios barrarem a entrada da Venezuela no Mercosul são frgeis. A Venezuela, hoje, é apenas membro associado do bloco. Sua entrada como membro integral, de acordo com seus oponentes, contrariaria o Protocolo de Ushuaia, que determina que apenas nações com regime democrático podem participar integralmente do Mercosul.
Para alguns senadores do país vizinho, Hugo Chávez é um ditador e, portanto, a Venezuela não pode participar do bloco. Ora, em primeiro lugar, é importante lembrar que se incorporaria a Venezuela como nação, não o governo de Hugo Chávez. Se Chávez perder a próxima eleição, ou se seus problemas de saúde o impedirem de governar, o povo venezuelano continuará como parte do Mercosul.
Em segundo lugar, a oposição do Senado paraguaio se baseia em uma postura um tanto superficial e imprecisa a respeito do que seja democracia. Se o Protocolo de Ushuaia, incorporado ao aparato legal do Mercosul, determina que seus Estados membros sejam democráticos, onde colocaremos a linha que separa regimes autoritários de regimes democráticos?
Se o critério for a existência de eleições recorrentes, então a Venezuela é democrática. Porém, se considerarmos critérios adicionais (como, por exemplo, a separação dos poderes), aí a resposta já não é tão simples, não somente para a Venezuela, mas também para o próprio Paraguai.
Neste país, uma elite rural representada pelo Partido Colorado (que governou durante a ditadura de Alfredo Stroessner) exerce um controle oligárquico sobre um aparato estatal maculado pelo clientelismo, ainda que sob instituições formalmente democráticas. Este controle só foi desafiado com a eleição de Fernando Lugo em 2008, a quem, no entanto, os senadores anti-Venezuela fazem oposição.
Uma pena, pois os empresários agro-exportadores do Paraguai provavelmente obteriam benefícios econômicos significativos com uma eventual entrada da Venezuela no Mercosul.
A Venezuela é, de uma perspectiva mundial, um país de renda média, com grande capacidade de importação derivada de sua renda petrolífera. Mais ainda, é país importador de carne de gado, soja, milho e trigo – quatro dos principais gêneros exportados pelo Paraguai.
Finalmente, temos que nos questionar se é democrático um grupo de senadores paraguaios impedir algo que é vontade reiterada dos povos da Argentina, Brasil, Uruguai e Venezuela.
O ideal seria uma decisão unânime dos quatro países membros, a regra segundo o Tratado de Asunção, porém é preciso ponderar o quão democrático é o veto de alguns senadores paraguaios diante do fato de que a entrada da Venezuela foi aprovada democraticamente pela Argentina em 2006, pelo Brasil em 2009, e também pelo Uruguai.
Em vista disso, que caminho deve seguir a América Latina?
Colocar-se como carro a reboque de uma locomotiva cambaleante (opção Alca) e pautar suas decisões internacionais a uma defesa hipócrita de princípios democráticos (opção de rejeição da Venezuela)?
Não. É preciso defender os princípios democráticos legitimamente, indo além da defesa de instituições que são democráticas apenas do ponto de vista formal, e promover laços cooperativos com países do Sul Global, que compensem as relações hierárquicas e parcialmente competitivas que temos com países do Norte.

*Felipe Amin Filomeno é Economista e Sociólogo, Doutorando em Sociologia pela Johns Hopkins University

salve,salve o natal!!!


Em homenangem a todos aqueles que adoram gastar no natal, e não pensam que existe vida, após o dia 25 de dezembro, e seu real sentido.

Este Documentário foi ums dos primeiros que assistir no auge da Crise de 2008.



Muito bom recomendo a todos, porque explica de forma simples, sobre o que é depósito compusório, e alguns termos financeiros.

Documentário sobre a crise na Grécia.



O porque de países como Alemanha e França, estarem tentando sanar a crise, e um pouco sobre as dívidas acumuladas pelos países em desenvolvimento junto ao FMI.

Resumo do dia

O Produto Interno Bruto (PIB) da Itália encolheu 0,2% no terceiro trimestre em comparação
com o segundo, informou nesta quarta-feira a agência de estatísticas do país, a Istat. O resultado
veio um pouco abaixo do esperado, a expectativa do mercado era que o PIB italiano
apresentasse um recuo de 0,1%. No segundo trimestre deste ano, o PIB italiano havia crescido
0,3%; no acumulado do ano, ainda apresenta expansão de 0,5%. Houve declínios em
todos as frentes de demanda doméstica no terceiro trimestre; as exportações líquidas, ao
contrário, agregaram 0,8 ponto porcentual de crescimento ao PIB durante o período.
Na agenda desta quarta-feira, a agenda doméstica traz dois dados de inflação divulgados
pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística): o IPCA-15 (Índice de Preços ao
Consumidor Amplo) e o IPCA-E (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-Especial).Nos Estados
Unidos, será revelado o Existing Home Sales, índice da Associação de Corretores Imobiliários
que mede as vendas de imóveis usados no país. Também nos EUA, sai o relatório semanal
de estoques de petróleo, organizado pela EIA (Energy Information Administration).
Assim como na jornada passada, as bolsas da Ásia terminaram a sessão sem uma direção
comum. Em Tóquio, o Nikkei 225 aumentou 1,48%, para 8.459,98 pontos. O Hang Seng, de
Hong Kong, teve alta de 1,86%, somando 18.416,45 pontos. O Kospi, de Seul, avançou
3,09%, aos 1.848,41 pontos. Em Sydney, o S&P/ASX 200 teve valorização de 2,13%, totalizando
4.139,50 pontos. Na contramão, o Shanghai Composite declinou 1,12%, se situando
em 2.191,15 pontos.